Marcelo Leite Ferraz tinha apenas 38 anos, era jornalista conhecido em Cuiabá e escritor reconhecido. No último final de semana saiu para encontrar amigos e não voltou.
O corpo do jornalista foi encontrado em um terreno baldio, com marcas violentas de apedrejamento.
De acordo com o Diário do Centro do Mundo, ” Marcelo sempre foi um crítico da esquerda e do PT, além de apoiador da Operação Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro. Ao longo deste ano, porém, se tornou conhecido na cidade como um crítico ferrenho do presidente Jair Bolsonaro, de seu governo e de seus apoiadores.”
Existem suspeitas de que esta tenha sido a causa do assassinato do jovem comunicador, que também era poeta e já havia publicado sete livros, tendo um deles sido vencedor do Prêmio Mato Grosso de Literatura.
Eis alguns trechos dos textos de Marcelo, publicados por Vinicius Segalla | Diário do Centro do Mundo.
O título é “Bolsonaro, o coringa brasileiro“. Nele, se lê:
“Após 8 meses de mandato, representado pela figura de um político antiquado, ultraconservador e hostil aos valores da democracia, a impressão é que Bolsonaro perdeu as características minimamente humanas, para vestir o terno colorido da insanidade do coringa brasileiro.
Assim, utilizando-se das facetas dissimuladas de um palhaço irônico e trágico, o mitomaníaco vem adotando uma postura dúbia ao pregar o moralismo ético “interna corporis” para administração pública do Governo Federal, ou seja, para todos que estão sob seu controle draconiano, porém, ao mesmo tempo, fecha os olhos para os atos antirrepublicanos dos seus próprios filhos.
Já no dia 1 de agosto deste ano, Marcelo publicou em sua coluna um texto com o título “Carta aberta para Bolsonaro“, em que pedia:
Pede para sair capitão! A militância política, a sociedade civil organizada e os cidadãos de bem deste país, que lutaram pela redemocratização e pela CF/88, seja aqueles que se identificam com os valores da esquerda ou da direita, mas que ainda são republicanos e democratas, não almejam voltar aos tempos de trevas sanguinárias da ditadura.
Finalmente, no dia 12 junho, no artigo “Galos-de-briga antirrepublicanos!“, o jornalista e escritor defendeu que o extremismo ideológico estaria levando a política do país a enveredar pelos caminhos da violência e da intolerância:
Resumindo, sem o mínimo de governabilidade necessária para aprovação das reformas devidas, para alavancar o crescimento e atrair os investimentos, o país vai de fato continuar nesse cenário individualista de uma verdadeira rinha de galos, onde a vitória de uns depende da derrota ou até mesmo da morte de outros. Então, já passou da hora desses governantes, autoridades e políticos virarem a página da disputa ideológica e começarem a pensar no povo brasileiro como verdadeiros estadistas que atuam dentro do Estado Democrático e de Direito.“




