A princípio informamos ao leitor e leitora do blog que somos fãs de Marta, e suas glórias respingam orgulho de conterrâneos em nós!
O texto porém, foca no usufruto que o poder procura ter sobre a imagem de pessoas que se destacam, rompendo as bolhas de aço que esta terra impõe para quem não participa da ala dos bem nascidos.
Sendo então mulher, o índice de dificuldade é elevado absurdamente. Agora acrescente o elemento “sertaneja” e “negra” para sentir o peso daquilo que falo.
Conheci a cidade de Marta, e foi lá que aprendi que “homem que anda de mãos dadas com mulher é corno”. Explico: mulher não deveria ser tratada com carinho, senão o risco de não “respeitar” o marido seria inevitável.
Obviamente outros discursos já cortaram este, pois o avanço da tecnologia também serve para trabalhar intertextualidades e acaba contaminando a vida social. Quiçá!
Apesar de ter conhecido membros da família de Marta, não a conheço pessoalmente ainda. Contudo, conheço esse chão sobre o qual ela correu atrás da bola e conseguiu vencer as dificuldades homéricas, por ser mulher, apesar de ser a melhor jogadora do mundo por tantas vezes!
Por essa razão, neste momento em que a Assembleia Legislativa de Alagoas ganha o mundo nas asas de Marta, por ter votado um projeto de modificação do maior estádio de futebol da localidade, de “Rei Pelé” para “Rainha Marta”, fazemos a crítica a todos os parlamentares que esquecem de valorizar, visibilizar e proteger a vida das mulheres alagoanas que lutam em tantos rincões pelo direito de ser.
Quem circula hoje pela cidade de Maceió encontra lindas estátuas espalhadas pela parte rica, homenageando pessoas consideradas ilustres, entre elas Nise da Silveira, recém inaugurada. Todas carregam a tarja comum de terem sido vencedoras lá fora.
A incrível marca registrada de um poder parasitário, que se aproveita das seivas externas, geradas com muita luta e resistência, para a autopromoção, merece esse registro de indignação, e o fazemos.
Para nossa rainha sertaneja, Marta, essa festa plena de sororidade, em nome das alagoanas anônimas, batalhadoras sertanejas, marisqueiras do litoral, guerreiras do agreste e de todo este território mantenedor de feminicídios, misoginia e invisibilização da mulher.
Salve Rainha Marta, em sua essência!






Uma resposta
Concordo com tudo dito. Marta como tantas e tantos outros sem apoio algum desse estado e do Estado, conseguiram transpor uma ínfima fresta social com seus próprios méritos. Enfrentou o abandono do Estado naturalizado à gente do sertão, enfrentou o machismo, o preconceito, a misoginia, o bullying, a invisibilidade, o determinismo e a imposição do lugar menor à mulher.
O Estado representado por Vossas Excelências insistem em manter o verniz social homenageando pessoas de destaque quando deveria contemplar programas sociais, educacionais, sem engodos, para que mais anônimos se destaquem, vençam coletivamente e não apenas individualmente, devolvendo-lhes a dignidade usurpada. Como disse Arnaldo Antunes:”a gente não quer só comida…”.