Pouquíssimos juízes no Brasil são tão avacalhados e humilhados pelo sistema judicial como o doutor Manoel Cavalcante de Lima Neto, da 18ª Vara da Fazenda Estadual.
Desde o ano passado ele atendeu a uma recomendação do Ministério Público Estadual do ano de 2013 e determinou a suspensão do pagamento da Gratificação por Dedicação Excepcional da Assembleia Legislativa.
Decisão judicial não se cumpre entre os deputados de Alagoas. É o acordado desde a Operação Taturana. Eles recorreram da decisão ao Tribunal de Justiça. As traças devoram o escândalo.
A gratificação voltou às páginas policiais na semana passada. Thayse Guedes, deputada estadual até 31 de janeiro (foi derrotada nas eleições), via Mesa Diretora da Assembleia, nomeou parentes mais a babá da filha para empregos de R$ 12 mil, mais o pagamento da má-afamada gratificação, que chega a dobrar o salário.
Os parentes da deputada foram exonerados porque a Mesa Diretora da Assembleia quer provar estar livre de falcatruas. É mentira. Era só seguir a decisão do doutor Manoel Cavalcante.
Mas se aproveitam para mostrar que a indignação é seletiva.
O caso do motorista Queiroz, com a suspeita de que os depósitos em sua conta fossem uma forma de irrigar o bolso de Flávio Bolsonaro, foi semelhante ao esquema da Assembleia, envolvendo a gratificação.
Somente o Ministério Público e o doutor Manoel agiram. O resto virou resto.




