O olho do sururu, por Edson Bezerra

Assim, como leite de mãe preta e sabedoria de preto velho, o Manifesto Sururu continua espalhando vida nova sobre nossa história de decapitação da memória popularesca, resgatando fio a fio, os dedilhados da negritude e mestiçagem alagoanas

Fui aluna do Antropólogo Edson Bezerra na Universidade Federal de Alagoas. O olhar da aluna transfigurou-se na visão da Cientista Social, no reconhecimento e reverência ao trabalho científico que cumpre seu papel ao dar um retorno social, pulando destemidamente das estantes, para as ruas e praças, numa perspectiva histórica diferenciada.

Manifesto Sururu, uma tese de doutorado que cumpre com fidedignidade sua missão, como resultado de muito estudo, coleta de dados e silêncios, para agrupar as vozes ricas de histórias, cortadas por sentimento de profunda alagoanidade, nas expressões originalmente periféricas, guardadoras de culturas.

Essa obra emerge na contemporaneidade, resgatando o “Quebra do Xangô de 1912”, sob as nuvens pesadas que patrocinavam o “Xangô Rezado Baixo”, para a celebração já popular do “Xangô Rezado Alto”.

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A voz fecunda da Antropologia traduzida pela beleza mais negra, índia e mestiça, de nossa gente, compõe o trabalho do professor Edson Bezerra, que também se desdobra em um blog, denominado “Negros, Canais, Lagoas e Outras Imagens Perifèricas”, que traduz um parceria dos designeres Ernani Viana e Glaucio Busson, mais os espaços abertos pelas lentes de Lula Castelo Branco, Celso Brandão, Christiano Barros, Luiz Cunha e Siloé Amorim.

Na voz do pesquisador:

“Negros, canais, lagoas e outras imagens periféricas, um projeto de pesquisa e extensão patrocinado pela Uneal (Universidade Estadual de Alagoas) através da Pró-Reitoria de Extensão (Pró-Ext), é um projeto de exposição fotográfica montada a partir da seleção de imagens desfocadas das atuais dominâncias simbólicas das imagens de Sol e Mar, o qual, que tem como o seu principal objetivo, a provocação da abertura de um campo de visibilidade e de memória de diferentes roteiros geográficos, eventos, culturas populares e manifestações religiosas. O somatório destas imagens, existindo em demasia pelas Alagoas, até a presente data têm sido preteridas e soterradas em decorrência da dominância de um roteiro imagético permanentemente saturado por um campo simbólico inflacionado pelos registros das imagens de Sol e Mar.

Explicitando os movimentos, do projeto inicial de realizarmos uma exposição fotográfica, ao entrarmos em relação com o nosso material de pesquisa, as fotografias, aos poucos nos veio a idéia de dividirmos o mesmo em dois momentos: o primeiro, a construção de um blog, para somente a partir daí, já tendo sido consolidado a persistência de um campo mais efetivo de presença, a realização da segunda etapa com a realização da exposição propriamente dita.

É neste sentido que o presente projeto de pesquisa está reunindo em suas imagens, um fragmento das trajetórias dos fotógrafos, os quais, através de suas imagens e temas, também se expõem em seus diferentes registros de negros, canais, lagoas e outras imagens periféricas.”

Assim, como leite de mãe preta e sabedoria de preto velho, o Manifesto Sururu continua espalhando vida nova sobre nossa história de decapitação da memória popularesca, resgatando fio a fio, os dedilhados da negritude e mestiçagem alagoanas.

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