Ao comparar o Brasil dos anos 90 com o dos anos 20, Luís Carlos Prestes disse que, no interior, durante as eleições na chamada República Velha (durou até 1930), o coronel aproveitava a missa para que os eleitores assinassem o livro de comparecimento nas urnas. “No dia da eleição o livro estava feito”.
Também nos centros urbanos, a corrupção não era menor. No Rio, quem tivesse carteira de identidade ou título eleitoral votava duas, três, quatro vezes… .
O resultado da apuração? Se fosse favorável às lideranças locais ou nacionais, tudo certo. Do contrário, a Câmara dos Deputados alterava o voto. Quem perdeu, ganhava.
O movimento tenentista brasileiro, de 1922, tinha, como uma das bandeiras, o combate à fraude eleitoral.
Não era só.
Após 1817, quando houve a emancipação política de Alagoas, durante uma década, a briga pelo comando da província derrubava e empoderava os representantes da Assembleia.
Craveiro Costa, em sua “História de Alagoas”, chega a falar de revolta nas ruas, ocupação de Maceió etc etc.
O Brasil de hoje é sustentado pela mesma lama do passado: as elites políticas se substituem entre si e mantêm os mesmos métodos.
Lembrando que em 1817 o Brasil era monarquia.
Talvez por isso, a democracia brasileira- de experiência curta- seja o remédio contra o cinismo. O Congresso Nacional discute eleição indireta para a substituição de Michel Temer.
Por que não as diretas?
Há uma crença na troca do sistema político, partidos mais fortes, forças armadas no poder…
E por que não continuarmos a exercitar a democracia, com as diretas?
O golpe em 2017 trouxe esta discussão. O Congresso ignorou, as instituições fizeram um pacto por Temer.
Como no passado, e os acordos das elites em torno da “governabilidade”.
A democracia ainda é o melhor sistema político do Brasil.
E contra um Congresso sem as condições necessárias para discutir esta transição, as urnas são o mecanismo da governabilidade.
Entendimento da maioria ajudará na reconstrução da nossa política. E da cidadania.


