Seca de maio e seus 'salvadores'

Comum o anúncio de programas milagreiros a problemas climáticos que dependem da ação humana, para serem solucionados

Há dois anos, as cheias produziram seus salvadores. O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes, assumia uma butija de meio bilhão de reais, o valor do Programa de Reconstrução das cidades arrasadas pelas chuvas de junho.

Logo depois, o programa passou para as mãos do vice-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). E o tamanho da obra é este: menos de 10% das casas foi erguida nas 19 cidades.

Ontem, o Governo voltou a produzir seus salvadores, desta vez com a seca- a pior, diz o discurso oficial, dos últimos dez anos. Os “novos” heróis são os prefeitos das cidades atingidas e o secretário de Agricultura, Jorge Dantas, na disputa pela Prefeitura de Pão de Açúcar.

Comum o anúncio de programas milagreiros a problemas climáticos que dependem da ação humana, para serem solucionados. Incomum é o uso da calamidade como instrumento de propaganda, incentivos fiscais ou concessão de crédito-que não chegam aos atingidos pela estiagem. Os desvios de R$ 312 milhões do DNOCS, detectados pela CGU e Polícia Federal mostram bem que a crise gera oportunidades. Aos corruptos.

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