Com três meses de atraso, Collor se lança à reeleição ao Senado

Ex-presidente tem o apoio de Celso Luiz, família Bulhões e Beltrão, em Coruripe; ele quer costurar composição entre Ronaldo Lessa e Galba Novaes, para a capital

Três meses após o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) anunciar a candidatura dele ao Senado- em 2014- o senador Fernando Collor (PTB) assumiu, também, publicamente, que é candidato à reeleição. Collor falou sobre o assunto em Atalaia, ao lado do ex-presidente da Assembleia, deputado Celso Luiz (PMN), na semana passada.

Celso Luiz é um dos líderes políticos mais poderosos e temidos do Sertão. Celso disse que, entre o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e Collor, votaria no ex-presidente da República; o senador retribuiu e disse apoiar Celso.

É apenas um jogo retórico: Collor e Lessa estão juntos, nas eleições de 2012 e 2014.

O anúncio de Collor mostra quais peças do xadrez estão do seu lado. Para enfrentar o Palácio República dos Palmares, o senador quer eleger prefeitos em Major Isidoro, Palmeira dos Índios e Arapiraca- nesta última, a candidatura é da deputada federal Célia Rocha (PTB).

Fechou compromisso também com o deputado federal Joaquim Beltrão (PMDB). Vai ajudar na eleição em Coruripe- projeto político de Beltrão.

Com Celso Luiz, Collor fecha votos em Canapi, Inhapi e Belém. As duas últimas são administradas por um irmão e uma cunhada.

Em Santana do Ipanema- onde a vantagem na última eleição foi do governador- Collor pede votos a Gustavo Pontes de Miranda (PTB). O ex-presidente está lado a lado, em Santana, com a família Bulhões- do deputado Isnaldo Bulhões.

Para viabilizar sua eleição ao Senado, Collor foi obrigado a mudar a rotina. Todos os finais de semana vem a Alagoas- cena rara, ao parlamentar que só pisa no Estado que lhe alçou à política nacional durante uma eleição. Trocou as discussões em Brasília pelas conversas de pé no ouvido com líderes locais. Incrementa o discurso contra o governador, pressiona aproximação política com o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP). E quer o ex-govenador Ronaldo Lessa (PDT) na Prefeitura de Maceió, escolhendo o vice: o presidente da Câmara de Vereadores, Galba Novaes (PRB), que ganha visibilidade pelas mãos de Collor e tenta mudar a imagem do Legislativo Municipal, levando a Casa de Mário Guimarães à periferia, atraindo lideranças dos maiores bairros de Maceió.

Por outro lado, o Palácio República dos Palmares vai desenhando o futuro político do deputado federal Rui Palmeira (PSDB). Apesar da resistência dele, é o candidato a Prefeitura da capital, com apoio do governador, do vice, José Thomáz Nonô (DEM) e dos usineiros; o deputado federal Jeferson Morais (DEM) obedece a um ciclo desgastante: hora está na crista da onda para a escolha; hora fica de fora.

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