“Mata Grande só tem dois policiais e a disputa está acirrada”
A frase é do juiz João Dirceu Soares Moraes, de Mata Grande. Desde ontem (7 de setembro), ele recebe, em seu gabinete, apelos de candidatos:
“Doutor João, do jeito que está não dá para continuar”, reproduz o magistrado, ao blog.
Ontem, um cabo eleitoral atropelou, de propósito, seis pessoas de um grupo político contrário ao dele- o do motorista.
Também ontem, o juiz tomou duas decisões:
A primeira foi reforçar, ao TRE, o pedido de tropas federais para Mata Grande (já havia pedido tropas na segunda-feira, 5 de setembro);
a segunda: proibir carreatas e passeatas de candidatos. “Apenas comícios”.
Mas, ele reconhece ser necessário mais:
“Mata Grande só tem dois policiais e a disputa está acirrada. Tudo indicava um confronto. Temos um prefeito afastado [Celso Luiz, de Canapi. O filho disputa a Prefeitura em Mata Grande]; temos um clima de pé de guerra entre os grupos políticos rivais; temos terrorismo de ambos os lados. Um grupo provoca o outro durante as caminhadas”, afirmou o magistrado.
E, em tom de desabafo, disse: “Não tem polícia em Mata Grande. Não dá para eu ir para a rua e fazer papel de polícia. Houve aí a convocação de 600 policiais [pelo Governo do Estado]. O que são 600 para um Estado? São pessoas novas e mal treinadas. Isso é um engodo”.
O blog buscou, no TRE, para saber como anda o trâmite do pedido de tropas federais para Mata Grande, assinado pelo juiz.
A última movimentação foi no dia 6 de setembro. Ou seja: um dia após ser recebido das mãos do juiz de Mata Grande.
O desembargador eleitoral Fábio Henrique Cavalcante Gomes declarou-se impedido de ser relator por ter parentesco com um dos candidatos a vice-prefeito na região sob jurisdição de João Dirceu.
Na prática, o pedido de tropas está nas mãos de ninguém.
Vinte e quatro horas após o grave incidente em Mata Grande, a Secretaria de Segurança Pública ainda não reforçou o policiamento no sertão alagoano.






