A empresária Francisca Perla Gomes Silva foi designada, pela Mesa Diretora, para integrar o setor de apoio e recursos
humanos da Assembleia Legislativa- a área que realiza os pagamentos da Casa. A nomeação saiu em Diário Oficial, na portaria 0048/2012, publicada nesta segunda-feira.
Francisca Perla é esposa do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes. Ela entrou na Assembleia antes de 1988 (após este ano, a exigência era por concurso público). O pai da empresária era o deputado José Nascimento Leão. Ela é sócia da Magia em Artefatos da Moda, uma butique de luxo localizada na rua Deputado José Lages, na Ponta Verde.
Em 2007, Francisca Perla foi denunciada como “funcionária fantasma” da Assembleia Legislativa.
O setor de Perla Gomes, segundo a Polícia Federal, ajudava a maquiar as fraudes que resultaram em desvios de R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa- incluindo funcionários fantasmas e laranjas.
Ex-sócio do tesoureiro de campanha de Fernando Collor, Paulo César Farias, Luiz Otávio Gomes foi denunciado pelas relações entre ele e a LOG Negócios e Consultoria – pertencente ao secretário.
Dos 113 contratantes da consultoria, 10 conseguiram benefícios fiscais do Governo do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico – presidido pelo próprio secretário.
Entre as empresas está a Sococo – que tem como um dos sócios o cunhado do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), o ex-senador e um dos empresários mais ricos de Alagoas, João Tenório. A Sococo financiou a campanha do governador, com gasto de R$ 725 mil. Os benefícios fiscais foram dados em abril de 2011.
LOG sempre negou, à imprensa, interferências no processo.
Luiz Otávio foi apontado, na época, como um dos homens de confiança de PC Farias. Ele foi indiciado por sonegação fiscal e falsidade ideológica. O inquérito foi arquivado. Em 2003, Luiz Otávio Gomes era um dos integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele era presidente da Confederação Nacional das Associações Comerciais, foi sócio de PC na Fiat Sultan, na cidade de Guarulhos (em São Paulo), e do jornal Tribunal de Alagoas, pertencente aos Farias, na época.
Em novembro, o nome de Luiz Otávio Gomes apareceu em nova irregularidade: um suposto esquema de caixa dois da campanha do governador, intermediado pelo banco Panamericano.
Ele é citado em uma troca de e-mails entre o ex-presidente do banco, Rafael Palladino, e o gerente operacional de consignação do Panamericano, Luiz Carlos Perandin, no dia 23 de agosto de 2010.
“Acabei de falar com o secretário. Ele receberá o contrato assinado, protocolado pela Secretaria da Fazenda, e disse que amanhã estará em SP para negociar o retorno”, diz Peradin ao ex-presidente do banco.
O contrato a que se referem é uma negociação para o pagamento de empréstimos consignados atrasados de R$ 2,7 milhões. Gomes teria recebido, segundo as investigações da Polícia Federal de São Paulo, 25% deste valor – R$ 678,5 mil – a título de propina, para o caixa dois.
No dia 24 de agosto de 2010, o Diário Oficial do Estado publicou uma determinação emitida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística. O texto autorizava o pagamento de uma diária e meia (R$ 630) “referente a viagem às cidades de São Paulo, Sorocaba e Cotia/SP”. A medida se refere ao secretário alagoano e cita os dias 24 e 25 de agosto, indicando que ele estava em São Paulo nesses dias.
Gomes sempre negou as acusações. Em nota, o governo chamou o caso de “ilação”.
“Na época, o governo procurou todos os bancos para negociar o pagamento dos débitos, pelo menor índice, que era o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Um deles tinha entrado na Justiça. Mas o governo procurou todos os bancos para negociar, inclusive o Panamericano”, disse, na época, o secretário de Comunicaçõ, Rui França.
Segundo ele, no caso do Panamericano, o débito, após as negociações, passou de R$ 13,3 milhões para R$ 5,8 milhões. “O governo conseguiu convencer o banco a renegociar o débito pelo IPCA”, contou. “Graças a essas renegociações, o servidor público não vai mais para o SPC ou para o Serasa. Hoje, o governo desconta e repassa o dinheiro para os bancos.”
A Polícia Federal, em Alagoas, investiga o caso.








