A explosão da microcefalia no Brasil continua e o número de bebês que nascem com a deficiência não para de aumentar. Em uma semana, houve aumento de 28,5% de casos suspeitos que se espalharam para mais 69 municípios. Essa é a maior incidência de casos notificados de microcefalia no país nos últimos cinco anos.
Até 19 de dezembro, o Ministério da Saúde notificou 2.782 casos suspeitos da microcefalia em 618 municípios de 19 Estados e do Distrito Federal. Deste total, 40 crianças morreram de microcefalia, segundo os dados do boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira (22).
Até o último sábado (12), haviam sido notificados 2.401 casos de microcefalia em 549 municípios de 19 Estados mais o Distrito Federal. Desses, 134 foram confirmados como tendo relação com o vírus zika, 102 foram descartados (sem relação com a doença) e 2.165 estavam em investigação. Em uma semana, portanto, houve um aumento de 28,5% nos casos suspeitos no país. No balanço atualizado o governo não especificou os casos confirmados e descartados.
Em 2014, foram notificados 147 casos de microcefalia. Em 2013 foram 147 casos; em 2012, 175 casos; em 2011, 139 casos e em 2010, 153 casos.
Um bebê nasce com microcefalia quando o tamanho de sua cabeça é igual ou menor a 32 centímetros. O tamanho padrão do crânio do bebê fica em torno de 34 a 37 centímetros.
O grande aumento dos casos de microcefalia acontece ao mesmo tempo em que o país vive um surto de casos de zika, vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e a febre chikungunya.
A relação do vírus com a microcefalia já foi confirmada após a morte de um bebê cearense cuja mãe foi infectada durante a gravidez.
A investigação dos casos de microcefalia relacionados ao zika está sendo feita em conjunto com gestores de Saúde de Estados e municípios.
Zika: só doar sangue após 30 dias
Dias depois de ter informado que a transmissão do vírus zika pode ocorrer portransfusão de sangue, o Ministério da Saúde pediu hoje a população para não deixar de doar, pois no fim de ano a demanda por sangue aumenta em todo o país.
A exceção fica por conta de quem contraiu a zika. Neste caso, deve-se esperar pelo menos 30 dias para fazer a doação e afirmar que teve o vírus no local de doação. Outra recomendação é informar ao banco de sangue se teve febre e dores no corpo dias depois da doação.
Maierovitch afirmou que o ministério reforçou essas orientações aos hemocentros e que a população pode doar com tranquilidade.
“As medidas visam à ampliação da segurança na doação e a qualidade da informação para a busca ativa de dados clínicos sobre o receptor”, afirmou.
Mais testes e agentes nos Estados
Atualmente, a circulação do zika é confirmada por meio de teste PCR, com a tecnologia de biologia molecular. Segundo Maierovitch, o Ministério da Saúde capacitou 11 laboratórios públicos para realizar o diagnóstico de zika. Com as cinco unidades de referência no Brasil para esse tipo de exame, 16 centros passam a ser capacitados para fazer o teste em todo o país.
Nos próximos dois meses, a tecnologia deve ser transferida para mais 11 laboratórios, somando 27 unidades para analisar 400 amostras por mês, informou o Ministério da Saúde.
Para combater o Equipes técnicas de investigação de campo do ministério da Saúde estão trabalhando nos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Ceará.
O objetivo do governo é conseguir visitar 100% das residências brasileiras até 31 de janeiro para combater focos do mosquito Aedes aegypti. Para isso, as ações de combate ao mosquito e cuidado com os criadouros ganham reforço de mais de 266 mil agentes comunitários de saúde espalhados pelo país, informou Maierovitch.
“Estamos estabelecendo média de 20 visitas ao dia por agente de saúde e endemias”, declarou Nardi.
Combate ao mosquito
Com as festas de fim de ano, o governo recomenda também que a população tome mais cuidado no descarte de garrafas e copos plásticos, para evitar que os objetos se tornem locais de acúmulo de ovos de Aedes aegypti.
“Antes de fechar seus imóveis, verifiquem a vedação da caixa d’água, desentupam as calhas já que está prevista uma grande quantidade de chuva no sul e sudeste, e confira o tanque de lavar louca, ralos, para que haja integração da água escoada”, afirmou Antônio Carlos Nardi, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.







