Mais um tucano na linha do bicheiro

Os outros três — Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) — também estão na lista elaborada pela Polícia Federal e serão investigados pela Procuradoria-Geral da República

Vinicius Sassine / Edson Luiz- Correio Braziliense

A  Polícia Federal incluiu o deputado federal Leonardo Vilela (PSDB-GO) na  lista de pessoas ligadas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, conforme  documentos da Operação Monte Carlo obtidos pelo Correio. O tucano,  ex-secretário de Meio Ambiente do governo de Goiás e pré-candidato à  Prefeitura de Goiânia nas eleições deste ano, trocou ligações  telefônicas e manteve encontros com o bicheiro. É o quarto deputado  citado nas investigações da Monte Carlo em razão da proximidade a  Cachoeira.

Os outros três — Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO),  Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) — também estão na  lista elaborada pela Polícia Federal e serão investigados pela  Procuradoria-Geral da República, que analisa a transcrição dos diálogos  telefônicos repassada pela Polícia Federal. Se o procurador-geral,  Roberto Gurgel, identificar indícios de crime, eles serão investigados  pelo Supremo Tribunal Federal. O deputado Rubens Otoni (PT-GO) aparece  em um vídeo gravado em 2004 em que Cachoeira oferece R$ 100 mil para um  suposto caixa dois da campanha do parlamentar.

A PF listou 26  políticos ligados a Cachoeira, entre eles Leonardo Vilela e os que  protagonizam a crise política desde a prisão do bicheiro, em 29 de  fevereiro. Um deles é o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que  aparece nos grampos colocando o mandato a serviço do contraventor. Em  entrevista ao Correio, Vilela sustenta que seu caso não pode ser  comparado aos demais. “É preciso separar o joio do trigo. As minhas  ligações (a Cachoeira) foram para falar de assuntos lícitos”, afirma.  “Não tenho relações políticas nem de amizade.”

O deputado diz ter  feito apenas duas ligações ao bicheiro. Em uma, segundo ele, fez um  pedido de entrevista de emprego para uma pessoa, que atuaria numa das  empresas de Cachoeira. Na outra, a motivação foi política: a confirmação  de um jantar com o senador Demóstenes Torres. O encontro chegou a  ocorrer, mas sem a presença do bicheiro, conforme o parlamentar tucano.  “Como tenho intenção de disputar a prefeitura, queria saber se  Demóstenes seria candidato.”

O senador, antes da derrocada em  razão da revelação da proximidade com Cachoeira, já havia desistido da  disputa. Vilela confirma ter se encontrado “duas ou três vezes” com o  bicheiro. “A primeira vez foi num batizado de um filho de um vereador de  Anápolis (GO).”

Prefeitos Também está na lista de contatos  políticos de Cachoeira o primeiro-suplente do senador João Ribeiro  (PR-TO), Ataídes Oliveira. O empresário assumiu o mandato de senador por  quatro meses no ano passado. Quatro prefeitos goianos aparecem na lista  da PF: Antônio Gomide (PT), de Anápolis; Maguito Vilela (PMDB), de  Aparecida de Goiânia; Gil Tavares (PTB), de Nerópolis; e Geraldo Messias  (PP), de Águas Lindas de Goiás.

A PF considera como ligados a  Cachoeira quatro secretários goianos: Alexandre Baldy, de Indústria e  Comércio; Jayme Rincon, da Agência de Obras; Ronald Bicca,  procurador-geral do Estado; e Wilder Pedro de Morais, de Infraestrutura,  primeiro-suplente de Demóstenes.

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