A discussão sobre o fim da escala 6×1 no Brasil ganhou um novo capítulo de contrastes nesta segunda-feira (9), equilibrando-se entre a cautela política e a urgência legislativa.
Enquanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, adotava um tom moderado diante de uma plateia de empresários, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apertava o passo para colocar a proposta oficialmente em movimento.
Em um fórum com representantes do setor de bares e restaurantes, um dos mais apreensivos com o possível aumento de custos e risco de demissões, Edinho Silva buscou baixar a temperatura.
O dirigente petista afirmou que o tema exige “calma” e delegou a responsabilidade da decisão final ao Parlamento, definindo o Congresso como o “espaço apropriado” para o debate.
A fala sinaliza uma tentativa do governo de manter o diálogo aberto com o mercado, evitando ruídos desnecessários com o setor produtivo.
No entanto, no coração do poder, o ritmo foi outro. Hugo Motta não apenas defendeu a revisão da jornada, como determinou o início imediato da tramitação da PEC da Escala 6×1.
O texto foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde passará pelo primeiro teste de admissibilidade.
Em uma manobra estratégica para dar mais peso à proposta, Motta anunciou a unificação dos textos apresentados pelos deputados Érika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG).
Motta rebateu os críticos citando o exemplo histórico da CLT, lembrando que previsões catastróficas sobre a economia já falharam no passado. Para ele, reduzir a jornada é um “passo firme na dignidade do trabalhador”.
O movimento do presidente da Câmara ocorre em sintonia com os interesses do Palácio do Planalto, que elegeu o fim da escala 6×1 como uma de suas prioridades para o ano legislativo e uma vitrine fundamental para o projeto de reeleição do presidente Lula em 2026.
Agora, a proposta segue para a análise de uma Comissão Especial antes de enfrentar o teste de fogo no plenário.








