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30 anos depois, Renan e Guilherme se enfrentam nas urnas

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Antes, eram eles em busca do poder…

A reedição de uma eleição histórica envolve dois sobrenomes de peso na política alagoana. Calheiros X Palmeira.

A história se repete três décadas depois. Em 1988, Guilherme Palmeira, pai de Rui Palmeira, venceu Renan Calheiros, pai de Renan Filho, nas eleições municipais de Maceió.

Em 2018, os filhos repetirão essa disputa, mas no plano estadual.

Hoje, Renan Calheiros é um poderoso senador em Brasília, onde controla a bancada do PMDB no Senado; Guilherme é um ex-governador aposentado, mas que mantém seus contatos com a velha guarda da política alagoana, principalmente do antigo PDS/PFL.

Os filhos estão em outro caminho. Rui Palmeira é ex-deputado federal, prefeito reeleito da capital que quer sentar na cadeira que um dia foi do pai; Renan Filho, ex-deputado federal, é o atual governador de Alagoas, realizando um sonho do pai tentou esse posto em 1990, mas foi derrotado por Geraldo Bulhões. Os dois herdeiros vão disputar a eleição de 2018, que já está marcada pela polarização.

A campanha, que será no próximo ano, está movimentando os campos organizados e bem demarcados para a disputa; de um lado, o peemedebista Renan Filho e seus aliados; do outro, o tucano Rui Palmeira com as forças políticas de oposição.

É bom lembrar que estas duas coligações têm 90% do tempo de TV e rádio, ainda o principal palanque eleitoral.

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… agora os filhos herdaram a briga eleitoral

Faltando 18 meses para a disputa, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores dos principais partidos já sabem para onde vão caminhar. Ou estão sendo obrigados a definir seus lados na votação.

O centro da disputa será o Palácio República dos Palmares, mas as duas vagas para o Senado terão um papel tão importante quanto a de governador nos resultados finais.

Grandes nomes se apresentam para essa disputa: o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e o atual senador Benedito de Lira (PP) estão no barco de Rui Palmeira; Renan Calheiros e, provavelmente, o ministro do Turismo, Marx Beltrão, serão os nomes do PMDB.

No meio dessas duas chapas majoritárias quase não existirá espaço para os demais partidos e candidatos, restando nas listas proporcionais – federal e estadual – o lugar de acomodação daqueles que querem um mandato em 2018.

Essa definição de blocos está sendo costurada desde 2016. No final das eleições municipais, o senador Renan Calheiros publicou uma carta com ataques a Rui Palmeira, que foi traduzida como um verdadeiro pontapé inicial de campanha, fechando as portas para qualquer tipo de composição com os tucanos.

Logo em seguida, nas festas de final do ano, na Barra de São Miguel, os encontros tradicionais nas casas de praia de políticos conhecidos se transformaram em verdadeiros atos de campanha. Rui Palmeira é considerado hoje, pela oposição, um nome forte e competitivo, depois de ter derrotado o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) em 2012, e o deputado federal e ex-prefeito Cícero Almeida (PMDB), nas eleições da capital.

Na campanha municipal, o apoio explícito de Renan Filho a Cícero Almeida, de um lado, e as denúncias da campanha de Rui Palmeira contra o senador Renan Calheiros, de outro, foram compreendidas como uma antecipação da disputa de 2018.

No final, os resultados negativos das recentes eleições municipais deixaram um gosto amargo nas bases governistas e, no bloco PSDB/DEM, esses mesmos resultados ficaram como um incentivo para a disputa de 2018.

Vitórias expressivas, como a de Maceió, e surpreendentes, como Arapiraca, deram um fôlego grande à oposição. Derrotado em grande parte dos municípios, o governador está buscando recompor e atrair para seu governo nomes com peso eleitoral que garanta sua reeleição. É isso que explica a migração da deputada Jô Pereira e dos prefeitos do Pilar, Renato Canuto, e de Porto Real, Aldo Popular, para o PMDB, três nomes fortes no interior.

Na capital, consciente do tamanho desse colégio eleitoral, tentando enfraquecer a gestão de Rui Palmeira, o governador tem financiado obras viárias importantes, construindo dois hospitais e várias escolas em tempo integral. No ano da eleição, lançou o programa “Pequenas Obras, Grandes Mudanças”, que tem incomodado a base de Rui Palmeira pela receptividade que vem obtendo nas grotas de Maceió.

Por seu lado, Rui Palmeira e seus aliados não dormem no ponto. Tendo o apoio declarado de Téo Vilela, Biu de Lira, do ministro dos Transportes, Maurício Quintella, e do secretário municipal de Saúde, José Thomaz Nonô, o prefeito de Maceió representa a possibilidade, antes impensada, da volta do bloco PSDB, DEM e PP ao governo de Alagoas.

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Parlamentares e assessores da prefeitura descartam a ideia de Rui migrar para o DEM e estão trabalhando a ideia de uma chapa Rui Palmeira e o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB), que, segundo eles, empolgaria os eleitores de Maceió; uma coligação que contaria com o apoio de prefeitos de municípios importantes, como Arapiraca, São Miguel dos Campos e Palmeira dos Índios, desequilibrando as eleições a favor dos tucanos.

Renan Filho já anunciou que o vice será mantido, com a recondução do atual secretário da educação e ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa.

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No âmbito local, pesa a favor de Rui Palmeira, o fator “Calheiros”.

São três membros da família numa mesma eleição.

O senador Renan Calheiros é um candidato forte e natural do PMDB, mas, na última disputa, em 2010, foi eleito com um número de votos menor que os de Biu de Lira. E isso incomoda o senador.

O deputado Olavo Calheiros (PMDB) é o segundo nome a reeleição na família, com suas muitas áreas de atrito e de interesses divergentes com outros deputados estaduais.

O terceiro nome é o próprio governador Renan Filho, que tem a vantagem de ser o governador, com o peso da máquina pública e uma boa avaliação administrativa, principalmente nas áreas da Fazenda e Educação.

Os “Calheiros” têm dificuldades no plano nacional. Hoje, os articuladores da candidatura de Rui afirmam que, em Brasília, a maioria dos ministros e o próprio presidente Temer gostaria de ver Renan derrotado.

O senador Calheiros, eleitor de Lula em 2002 e 2006, apoiou Dilma até o último momento, pulando do barco somente quando a presidenta já não mais tinha chances de se manter no poder.

O governador Renan Filho, tal como o pai, apoiou a eleição e reeleição de Dilma, teve apoio do PT na sua campanha e fez declarações favoráveis à presidente sem, até hoje, ter definido apoio ao impeachment.

Michel Temer e sua equipe mais próxima não esquecem as posições pró-Dilma dos dois e o diálogo constante com Lula e o PT.

Semana passada, o senador Renan, considerado hoje o principal adversário político do ex-presidente da Câmara e presidiário Eduardo Cunha, se declarou contra a votação do projeto de reforma da previdência e criticou a terceirização, o que irritou os aliados de Temer.

Uma derrota de Renan Calheiros abriria espaços para a volta de Téo Vilela e do próprio Biu de Lira, cujos partidos apoiam com mais clareza o governo Temer.

Téo Vilela, ao aparecer na lista do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, como beneficiário de uma propina de 2,8 milhões do Canal do Sertão, ficou enfraquecido porque deverá ser investigado na Lava Jato. E precisará da imunidade parlamentar, em busca da blindagem política.

Biu de Lira, dono do PP, que tem uma estrutura no interior mais forte que PSDB e DEM juntos, espera mais da candidatura de Rui.

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O pepista, que já anunciou sua decisão de disputar o Senado, precisa da imunidade parlamentar, o tal foro privilegiado, para enfrentar os processos que se avizinham, assim como os que envolvem seu filho, o deputado federal Artur Lira (PP), hoje inelegível. A vitória de Rui significaria ter a prefeitura de Maceió nas mãos do PP e de Biu de Lira, já que o vice, Marcelo Palmeira (PP), é seu enteado e cria política do senador.

Por sua vez, a campanha de Rui Palmeira teria todo apoio do Governo Federal e agradaria ao governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) ou outro nome que represente o PSDB e seus aliados do PP e DEM na disputa para presidente da República. Problemas

O PMDB está administrando um problema interno, que é a definição do segundo nome que comporá a chapa para o senado.
Marx Beltrão tem chamado a atenção por seus movimentos de aproximação com Rui Palmeira. Estratégia compreensível dentro da lógica de negociação.

Ele quer o apoio integral na chapa do PMDB, com os dois votos para o Senado exclusivamente para ele e Renan, e ameaça sair do partido se não for atendido.

Mas, o senador Calheiros sabe que muitos prefeitos e vereadores comprometidos com Biu de Lira e, principalmente com Téo Vilela, querem também votar nele, no chamado “segundo voto”, como fizeram nas eleições passadas.

Renan prefere uma candidatura menos competitiva no PMDB. E isso beneficiaria tanto Téo como Biu de Lira e derrotaria Beltrão, o nome mais fraco dos quatro.

Segundo os peemedebistas, ele está superestimando o peso dos aliados da família e a passagem pelo cargo de ministro.

Caso não consiga fechar o acordo com Renan, Beltrão deve manter sua candidatura a federal, da mesma maneira que o outro alagoano ministro do governo Temer, Maurício Quintella, que também sonhou em ser candidato ao Senado; Marx, no máximo, mudará de partido, indo para uma das legendas que tem sob seu controle, o PSD ou PRD, o que poderá ser feito até outubro deste ano.

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Campanha presidencial
Nas eleições de 2018, há um fator que aumentará o grau de incertezas na campanha.

As eleições presidenciais de 2018 influenciarão – e muito – os resultados locais. As primeiras pesquisas, como a do Instituo Paraná e do Ibrape, revelam e confirmam os números nacionais. Essas pesquisas não são levadas muito a sério pelo fato de estarem distantes do momento decisório, mas são um termômetro. Nelas, o ex-presidente Lula é o favorito nacionalmente, tem a preferência de 39% a 43% dos alagoanos, segundo as pesquisas, e deverá polarizar com o nome apoiado pelo PSDB.

O PMDB, rejeitado pelo PSDB depois de um governo impopular nacionalmente, deverá lançar um nome próprio, como defendem ministros e governadores do partido, repetindo a campanha de Ulisses Guimarães em 1989, se resguardando para o segundo turno, quando negociará o seu apoio a peso de ouro. O PSDB deverá se desgrudar do PMDB e de Temer em 2018, pelo alto grau de desgaste nacional, e apostará num candidato próprio, numa coligação com o PP, DEM e outros partidos menores.

Esse candidato será apoiado pelo mesmo bloco em Alagoas. Seja qual for o nome – Alckmin, o senador Aécio Neves, o senador José Serra ou até mesmo o prefeito de São Paulo, João Dória – essa candidatura formará, como sempre, um polo importante em Alagoas.

Os outros nomes – Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsanaro (PSC) – terão menos apoio e votos no Estado.

A candidatura de Marina Silva, a segunda colocada nas pesquisas, mas distante de Lula, dependeria de uma ampla estrutura partidária. Em Alagoas ela não conta com um partido forte, a Rede, e a ex-vereadora Heloísa Helena tem uma característica conhecida, que é a de ser bem votada, mas sem conseguir transferir votos para seus candidatos majoritários. Ciro Gomes tem a sustentação do PDT de Ronaldo Lessa, que será pouco para ter boa votação; Bolsonaro deverá ter o apoio dos pequenos agrupamentos de extrema direita porque está deixando seu partido atual, o PSC, para se filiar numa legenda que o aceite com candidato a presidente.

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A esquerda sem votos e nas redes sociais
O PT em Alagoas não será beneficiário do prestígio de Lula. Em todas as suas disputas, Lula sempre teve uma grande votação em Alagoas, chegando a vencer em 2002 e 2006, sem eleger um deputado federal no Estado.

No ano passado, a bancada estadual do PT se dissolveu com a saída dos deputados estaduais Ronaldo Medeiros e Marcos Madeira, que migraram para o PMDB.

O rompimento do PT com Renan Filho se deu após o impeachment, provocando uma divisão interna, com a permanência do ex-deputado Judson Cabral no governo.

O nome mais forte do partido, o deputado federal Paulão, está inelegível.

O outro aliado tradicional de Lula em Alagoas é o PCdoB, que participa do governo Renan Filho e, no âmbito nacional, tanto namora a chapa do PT como a candidatura de Ciro Gomes. O PSOL nacional está, desde a campanha contra o impeachment e, depois, no “Fora Temer”, mais próximo do PT, mas, mesmo assim, deverá apresentar um nome para presidente, que, em Alagoas terá apoio com forte presença nas redes sociais, como os professores, Gustavo Pessoa, a Governo, e Othoniel Pinheiro, ao Senado.

Pessoa e Pinheiro marcarão posição, com chances de votação no segmento mais crítico do eleitorado.

Se for candidato, Lula deverá vencer em Alagoas, no primeiro turno, sem que o PT ou seus aliados tradicionais sejam beneficiados pela sua campanha.

Em 2018, a esquerda política – PT, PCdoB e PSol – não deverá eleger nenhum representante em Brasília e, diante da dificuldade de fazer alianças e apresentar uma chapa competitiva, terá dificuldades em colocar um parlamentar na Assembleia Legislativa.

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Collor, Ronaldo Lessa, Heloísa Helena e JHC
Vários nomes importantes da política alagoana – Heloísa Helena, o senador Fernando Collor (PTC), o deputado federal JHC (PSB) e Ronaldo Lessa – ainda estão indefinidos quanto a 2018.

Os três últimos têm laços e contatos com Renan Filho e com Rui Palmeira. Collor não precisa se movimentar muito porque somente será candidato em 2022, quando disputará outro mandato ao Senado. Mas, sua simpatia é pela candidatura de Rui Palmeira, a quem apoiou na última eleição, e deve se decidir por nomes que não seja o de Renan Calheiros, com quem cultiva diferenças e desentendimentos desde os anos 1990.

A recente eleição de Collor na Comissão de Relações Exteriores do Senado teve o apoio de Renan, mas isso não garante o apoio em 2018.
Lessa sonhou em ser candidato ao Senado, mas seus aliados desestimulam essa opção tendo em vista as dificuldades na disputa entre as duas prováveis chapas de governo e oposição. Mesmo com secretários na prefeitura de Maceió, e tendo apoiado Rui Palmeira na eleição passada, Lessa não é nome garantido no palanque tucano.

Com o PDT lançando Ciro Gomes em 2018, ele deverá colocar o partido numa coligação que permita fazer a campanha nacional dos trabalhistas, ao mesmo tempo em que trata de sua reeleição em Alagoas, o que poderá ser feito nas duas grandes coligações.

A ex-vereadora Heloísa Helena, ex-PT e ex-PSol, poderá voltar a disputar uma vaga ao Senado em 2018 para fortalecer a campanha de Marina Silva, mas sem o apoio dos grandes grupos dificilmente terá chances e deverá ser derrotada como na última eleição.

Heloísa pode não ter forças para se eleger ao Senado, mas tem votos suficientes para derrotar um dos nomes mais fortes. O deputado federal JHC dependerá da definição de nome nacional do seu partido, o mesmo PSB desgastado eleitoralmente que ele tomou da secretária de Saúde de Palmeira dos Índios, Kátia Born.

Como a tendência do PSB é fechar com o candidato do PSDB, principalmente se for Geraldo Alckmin, é possível que JHC suba no palanque tucano em Alagoas.

Ou seja, as eleições de 2018, em Alagoas, já começaram e estão polarizadas entre dois grandes blocos – situação e oposição. O resultado nas majoritárias, governador e senador, dependerá do desempenho dos candidatos, dos apoios recebidos e de muitas outras varáveis imponderáveis, como os desdobramentos da política nacional, principalmente da Operação Lava Jato, e da definição de atores locais ainda em cima do muro.

Até outubro deste ano, com as mudanças na legislação eleitoral mais os resultados dos processos que rolam no TSE e STF, muita água ainda vai rolar.

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