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21 anos de Alexystaine, o mártir alagoano

Hoje meu filho Alexystaine, se ainda estivesse na terra, completaria 21 anos. Para nós não é mais um aniversário a festejar, contudo, é uma data a celebrar a memória daquele que tendo sido martirizado em nome da cidadania e luta por justiça, tornou-se nossa referência amorosa de firmeza na luta incansável contra as violências e seus mecanismos de dominação.

Estaria se tornando maior de idade, aquele que não teve o direito de ser jovem. O menino que recebeu de agentes da Segurança Pública de Alagoas as marcas da dor na alma e o dilaceramento de sua história a partir dos 12 anos de idade.

Porém, sabemos nós, que Alexystaine nunca ficou só. Fizemos de nossas bocas e escritos o veículo da denúncia, para desnudar os bastidores da violência institucional em Alagoas, até a confirmação de sua letalidade, com o ápice do seu martírio em plenos 16 anos.

Seguimos chorando e lutando, acreditando na força maior do Amor que não morre, mas liberta, engradece e melhora a vida pessoal e social, ainda que em alguns trechos da história tenha sido obrigado a pagar com intensa dor o tributo de se opor aos interesses menores do poder opressor.

Registramos nossa gratidão a Deus por ter tido a honra de sermos pais de Alexystaine. Em nossas memórias ficaram todas as palmas, bolos e tortas, refrigerantes e risos dos 16 aniversários celebrados. Sua imagem nos fala de uma força para além dos massacres sociais, a força da vida imorredoura pulsante em quem se entrega à luta digna para defender os direitos da pessoa humana.

Rogamos ao céu pelo presente abençoado ao filho materialmente ausente, mas sempre aqui em cada linha escrita, riso ou gesto, nossa esperança de paz em meio à violência material e simbólica que tenta escrever sozinha a história, exceto essa, pois a história de Alexystaine e a defesa de sua memória é o nosso amor quem registra. Parabéns por ter vindo a nós filho, mártir iluminado em bençãos.

 

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