Uma inegável fissura foi aberta no campo das relações no Brasil, desde 2014, quando uma estranha narrativa se infiltrou entre rodas, mesas, encontros…
Ideologia de gênero, kit gay, marxismo cultural e uma desqualificação imagética e de qualidade do ser voltada às mulheres de esquerda, feministas, artistas, negras, e todo perfil libertário, passou a ser tarjado de “comunista”.
Xingamentos a Paulo Freire, perseguição a professores “doutrinadores” e muitas famílias defendendo rigores no tratamento aos “diferentes”, resultou em uma ebulição tóxica, ácida, que separava “pessoas de bem” de “pessoas degeneradas”, mais uma vez no correr da história.
Essa base convulsiva nos levou a 2018. Nos fez olhar no olho do bolsonarismo, que se tornava referência extremista de tradição e fundamentalismo.
O cio do fascismo se revelava, e um dos palcos escolhidos fora o religioso arcaico, ortodoxo, conservador de desigualdades em nome de uma deidade moralista e cruel.
Como isso não afetaria amizades?
Os que antes se admiravam passaram a sentir estranhamento com aquela parte que coadunava com campos opostos à sua mentalidade emergente.
Na vida real ou virtual, os rachas se tornaram frequentes.
Essa que vos fala através da escrita, se despediu de amizades que vinham desde o período da infância, pois o bolsonarismo que ganhou força em 2018, permitia agressões, mutilações morais, e o bom senso aconselhava distanciar.
Alguns vínculos afrouxaram mas não chegaram a romper, a maioria que se enquadrou no perfil autoritário inviabilizou até mesmo contatos superficiais.
Passamos então a selecionar pelo perfil eleitoral aqueles com os quais poderíamos nos relacionar com alguma segurança.
Mesmo depois do governo fatídico de Bolsonaro, que promoveu milhares de mortes por omissão e fortalecimento da ideia anticiência, algumas amizades do passado não retornaram, e pelo fato de seguirem aguerridas em suas ideologias fascistas, não retornarão.
Assim sendo, o Dia do Amigo se tornou mais intenso entre os que comungam semelhanças de pensamentos, e mesmo entre famílias, as cicatrizes relacionais talvez sirvam para lembrar que em essência somos seres sociais e políticos, capazes de escolher entre um sistema e uma pessoa amada.
Não sinto culpa de escolher o sistema democrático, e as forças libertárias. Talvez por isso, não retribua com ódio aos que me odeiam por ser mulher livre pensadora.
Feliz Dia do Amigo para quem consegue sentir respeito por suas amizades e inimizades.





