AL terá dinheiro para manter os novos hospitais funcionando? Dúvidas vão da direita à esquerda e Governo diz que sim

O financiamento da saúde no Brasil chega a 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, a dívida pública engolirá 86,6% do PIB, em 2023.

A construção de novos hospitais em Alagoas volta a gerar dúvidas na classe política local, direcionando os olhares ao Governo Renan Filho (MDB), ao menos por enquanto o favorito a ganhar a corrida à sucessão para o Palácio República dos Palmares.

Desta vez foi o candidato à chefia do Executivo Estadual pelo PSOL, Basile Christopoulos. Ele questiona os gastos (para ele, sem critérios) do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza, o FECOEP, em uma série de obras, incluindo a construção de 2 hospitais: o da Mulher, em Maceió, e o Metropolitano, em Porto Calvo.

Pano de fundo é: o Governo terá dinheiro suficiente para, depois que estes hospitais estiverem prontos, mantê-los em funcionamento?

Números da Secretaria Estadual de Saúde apontam que Alagoas vai ganhar nos próximos meses mais 430 leitos com os novos hospitais. Além do da Mulher e o Metropolitano, está em construção o Hospital Regional do Norte, todos com a proposta de descentralizar os atendimentos encaminhados ao Hospital Geral do Estado, na capital, e o Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca.

Mais para a frente prevê o Hospital Regional da Zona da Mata, em União dos Palmares, e outro em Delmiro Gouveia.

Em agosto do ano passado, o senador Benedito de Lira (PP) levantou, pela 1ª vez, o problema: “O que está acontecendo nos hospitais públicos de Alagoas é triste e lamentável. No HGE e na Maternidade Santa Mônica, a situação é deplorável. De que adianta o governador prometer construir novos hospitais, se não consegue manter os atuais hospitais?”.

O deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) também criticou a construção de novos hospitais porque os atuais estão em condições difíceis de funcionamento.

Num cenário de aprovação do teto dos gastos na era Michel Temer, cujos efeitos serão mais fortes a partir de 2019, incluindo uma recuperação lenta da economia brasileira, as previsões nacionais são pessimistas: haverá um colapso nos atendimentos hospitalares porque não haverá dinheiro para todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

O financiamento da saúde no Brasil chega a 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, a dívida pública engolirá 86,6% do PIB, em 2023.

E em 2007, foi extinta a CPMF, dinheiro que deveria (mas não era) encaminhado para a saúde pública.

E o desafio em Alagoas, por exemplo, é enorme. Com 90% da população dependendo do SUS, sem acesso a planos de saúde privados, em algum momento alguém vai precisar ser atendido em alguns dos hospitais.

E como vai ser?

O Fecoep – ICMS vinculado ao combate à pobreza- tem quase R$ 1 bilhão em caixa: R$ 872.361.648,98. Ao menos por enquanto, o Governo não anunciou se, além da construção de hospitais, este dinheiro também será usado para todos estes hospitais em funcionamento, mesmo adotando o modelo das organizações sociais, as OSs.

Se a resposta for sim, ou seja, o Fecoep vai ajudar a abastecer estes hospitais, vem outra pergunta: vai dar para todos?

Da direita à esquerda, a dúvida é a mesma.

One thought on “AL terá dinheiro para manter os novos hospitais funcionando? Dúvidas vão da direita à esquerda e Governo diz que sim

  1. Se falta o minimo necessário para se manter os poucos hospitais que tem, faltam desde iluminações nos corredores, banheiros,remédios etc como manter os novos? Equipamentos mão de obra, e manutenção corretiva e preventiva.

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