Por que é hora de Heloísa Helena, Rodrigo Cunha e JHC decidirem sobre o futuro do Brasil?

Mesmo o incentivo ao voto nulo, significa uma tomada de posição que favorece o projeto bolsonarista. O nulo neste momento nem anula a eleição nem é voto de protesto

Rodrigo Cunha, Heloísa Helena, João Henrique Caldas têm pedaços de eleitorado bastante comuns. São pedaços que também enxergam a deterioração do serviço público, são vítimas mais diretas da crise econômica e política no Brasil, não concordam com a vulgarização da violência.

Outros pedaços de eleitores dos três querem forçar o cidadão a marchar para o mercado, em muitos casos como mão de obra de pouca qualificação e, portanto, mais barata. Foram convencidos a odiar o que é público. Um público que vai sendo preparado a aceitar, como parte da paisagem, a desestruturação do SUS, das escolas públicas, da assistência social (diferente do assistencialismo). Em resumo: menos Estado a quem precisa do Estado e mais privilégios a quem já os têm.

Por isso, pela representação que os três possuem, as páginas da história pedirão suas posições. Não por pirraça de quem cobra, mas sim pela manutenção do jogo democrático.

Os três são obrigados a abandonar o muro ou seus projetos pessoais. E devem perceber que o crescimento das demandas antiracistas e a pressão pelo fim dos direitos humanos, feministas, LGBT, indígenas, negros virou a pauta de Jair Bolsonaro, cujo discurso ou ideias são tratados como brincadeira ou impraticáveis.

Bolsonaro adota o jogo duplo: em determinado momento, diz ser contra o Bolsa Família; em outro, fala ser a favor por uma questão humanitária. O conceito “humanitário” usado por ele é pejorativo. Como se os miseráveis tivessem de ser carregados nos braços, enquanto assiste à privatização do que é público.

É exatamente estes grupos de eleitores- afinados com Bolsonaro- que votaram em Rodrigo Cunha e JHC, por exemplo. E também em Heloísa Helena, por tudo o que ela segue dizendo a respeito do PT.

As três lideranças têm uma escolha: apoiar Fernando Haddad para que benefícios não virem privilégios ou Bolsonaro, cujo símbolo da campanha (um fuzil) também é uma carta branca para massacrar os mais pobres.

Mesmo o incentivo ao voto nulo, significa uma tomada de posição que favorece o projeto bolsonarista. O nulo neste momento nem anula a eleição nem é voto de protesto.

Rodrigo Cunha e JHC tendem a ficar em cima do muro- o que significa se esconderem neste segundo turno da disputa presidencial e reaparecerem após a votação.

Heloísa Helena e Marina Silva devem adotar posições comuns, mas ainda não conhecidas.

Porém, os três sabem: a cantilena da falsa moralidade é para justificar os radicalismos de Bolsonaro, com pautas que os três condenam mas partes dos seus eleitores aprovam.

O quê vai prevalecer? A racionalidade ou o jogo bruto da autoritarismo?

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