Nô Pedrosa denunciou grupos de extermínio, mas ninguém se importa

Números do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público de Alagoas apontam 1.800 desaparecidos em 5 anos

Os desaparecidos encontrados mortos em Alagoas não estão na pauta das instituições públicas. Não constam na lista dos nossos indignados de ocasião. O Conselho Estadual de Segurança não debate sobre eles; a Comissão de Direitos Humanos da OAB não os conhece; a Secretaria de Segurança Pública nem finge mais, terceirizou a questão.

Alessandro Paulino Santos da Silva tinha 23 anos. Desapareceu na manhã de quinta-feira (15). Morava no Trapiche da Barra. O corpo foi encontrado em uma grota, no Benedito Bentes , com 5 tiros, três deles na cabeça. Características de execução.

Números do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público de Alagoas apontam 1.800 desaparecidos em 5 anos. A coordenadora do núcleo é a promotora Marluce Falcão, que disse em 23 de outubro.

“A procura por desaparecidos deve ser uma política de estado, estas pessoas não podem fazer parte apenas de estatísticas”.

Maior parte deste público é pobre, mora na periferia. Quando seus corpos aparecem na imprensa, a polícia parece justificar o crime: drogadição, tráfico, vingança, histórico penal.

Existe uma política higienista para eliminar os indesejáveis da nossa sociedade. Em 23 de dezembro do ano passado, Nô Pedrosa foi assassinado ao lado do desconhecido José Márcio dos Santos, de 39 anos. Todas as características dos dois crimes apontam para execução. Ninguém foi denunciado pelo duplo homicídio.

Existe quem fica indignado com o extermínio promovido pelos regimes nazista e comunista. Mas, não se importa nem um pingo com os desaparecidos que viram homicídios. “São pobres”, dizem os códigos da nossa sociedade. Para bom entendedor: “quem pariu Mateus que o embale”.

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