Caso Diego Florêncio: famílias poderosas no banco dos réus e 5 adiamentos na Justiça

Quatro desembargadores decidem na próxima quarta-feira (7) se anulam ou mantêm o juri que decidiu pela prisão dos acusados  no assassinato do estudante Diego…

Quatro desembargadores decidem na próxima quarta-feira (7) se anulam ou mantêm o juri que decidiu pela prisão dos acusados  no assassinato do estudante Diego Florêncio, em Palmeira dos Índios. Um erro da Justiça também estará no banco dos réus. O próprio Judiciário escolheu uma servidora da Justiça que estava entre os jurados, condição que, segundo a defesa dos condenados, anula o juri.

Diego Florêncio foi assassinado com vários tiros, pelas costas, em 23 de junho de 2007. As investigações apontaram que Juliano Ribeiro Balbino; o vereador de Palmeira Antônio Garrote da Silva Filho, o Toninho Garrote (PP); e Paulo José Leite Teixeira, o Paulinho do Cartório, planejaram e executaram o crime.

Sete anos depois do assassinato, em 13 de maio de 2014, eles foram condenados em 1ª instância à prisão. Mas, saíram pela porta da frente do fórum.

A defesa de um dos condenados, o Paulinho do Cartório, recorreu à Câmara Criminal do TJ.

Dos 4 desembargadores que compõem a Câmara Criminal do TJ, dois já votaram: o relator, José Carlos Malta Marques e o juiz convocado Maurílio Ferraz. Eles pediram a anulação do juri. Faltam dois votos: o do presidente da Câmara, João Luiz Azevedo Lessa e de Sebastião da Costa Filho.

A influência política e na própria Justiça dos condenados em 1ª instância acabou adiando 5 vezes este julgamento na Câmara Criminal.

Paulinho do Cartório, por exemplo, é conhecido assim em Palmeira dos Índios porque a família é dona de cartório. Toninho Garrote, além de vereador, é filho de Ângela Garrote, ex-prefeita de Estrela de Alagoas e uma das maiores lideranças do PP no agreste/sertão. Além de Toninho Garrote, ela tem outro filho na política: Arlindo Garrote, hoje prefeito de Estrela. Os dois já foram presos por corrupção.

“O que eu quero somente é Justiça”, diz a mãe de Diego, Leoneide Florêncio. “Foram sete anos lutando para este julgamento acontecer em 1ª instância. E quando houve, eles foram condenados e eles saíram pela porta da frente do fórum. Não houve Justiça”, explica.

“Não foi um erro meu colocar uma servidora da Justiça no juri. Essa decisão não é minha. Sou uma mãe sofrendo por um filho, que pensa nele todos os dias. Ele foi tirado de mim. O que me resta é a Justiça dos homens”, resume.

Os desembargadores se reúnem pela sexta vez nesta quarta-feira.

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