Ao ficar em cima do muro, Rodrigo Cunha se transforma naquilo que combatia

Nas redes sociais, pendurou um longo texto, com críticas às candidaturas de Haddad e Bolsonaro. Nas palavras de Rodrigo, os dois estão num mesmo patamar. E não estão.

Era previsto que o senador Rodrigo Cunha (PSDB) não escolhesse dizer, ao menos publicamente, seu voto na disputa ao 2º turno presidencial. Era uma declaração esperada porque, além da trágica história familiar do jovem parlamentar, Cunha construiu um marketing na campanha propondo uma nova forma de fazer política- com recado direto a Renan Calheiros (MDB) e suas quase 3 décadas na crista da onda nacional.

Chamado ao primeiro desafio público- escolher entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro- o novo senador mostrou que se transformou naquilo que tanto combatia.

Nas redes sociais, pendurou um longo texto, com críticas às candidaturas de Haddad e Bolsonaro. Nas palavras de Rodrigo, os dois estão num mesmo patamar. E não estão.

Manchete da BBC Brasil desta terça-feira: ‘Ele soa como nós’: David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, elogia Bolsonaro, mas critica proximidade com Israel.

Manchete do Repórter Nordeste, também nesta terça: ‘Vermes petistas têm que morrer’: professor conta como escapou de atropelamento em Murici, por apoiar Haddad.

Existem diferenças nas duas campanhas.

Mas, Rodrigo tenta igualar os dois lados para agradar aos bolsonaristas, na clara associação que a sua campanha fazia com a do presidenciável, principalmente as cores dos adesivos (verde e amarelo, posição quase idêntica das fotos etc).

Ao ficar em cima do muro, virou alvo de ataques a quem quis agradar.

Não é diferente quando se olha o PSDB nacional. Fernando Henrique Cardoso subiu no muro, sem declarar voto a Haddad, mas deixando uma “porta aberta”; o show boy dos tucanos, João Doria, é Bolsonaro e levou um balão do “mito”.

São coisas da política. Também são coisas da política quando Mário Covas, presidenciável do PSDB em 1989, derrotado no primeiro turno das eleições, fechou apoio a Lula para não estar com Collor, prevendo o Brasil que viria dali.

Os demais tucanos se esconderam debaixo da cama; Covas virou estrela no partido.

Rodrigo Cunha quis ganhar nas urnas. E foi o mais votado. Alcançou o que buscava. E só.

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