Naturalização do horror nas instituições ajuda a explicar nossa desumanização

País que acumula mais de 60 mil assassinatos por ano- maioria de pobres, pretos, mulheres, gays- pode alcançar status em desenvolvimento econômico. Mas dividirá os piores lugares em concentração de renda, de terras, nos níveis educacionais

Diz a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Alagoas: não existe um grupo de extermínio que esteja atuando no massacre de moradores de rua.

Os moradores, em verdade, são vítimas do tráfico de drogas.

Aldo dos Santos Silva, das ruas de Cruz das Almas, 39 anos, perfurado a faca neste domingo. Ele está internado no Hospital Geral do Estado.

A naturalização do horror justifica: as drogas são o pano de fundo deste crime.

E os arautos da moralidade finalizam: “Quem pariu Mateus que o embale”.

Tribunal Internacional condena Brasil por não investigar morte de jornalista Vladimir Herzog, na ditadura.

Na mesma semana em que a sentença é relevada, o presidenciável Jair Bolsonaro minimiza o crime (chama também de suicídio) e defende a tortura como método de confissão.

Onde está nossa civilidade?

País que acumula mais de 60 mil assassinatos por ano- maioria de pobres, pretos, mulheres, gays- pode alcançar status em desenvolvimento econômico. Mas dividirá os piores lugares em concentração de renda, de terras, nos níveis educacionais.

Porque civilidade é, também, o direito do outro ser humano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *