Pesquisadores da Fiocruz PE conseguem sequenciar genoma do Zika

Ana Lima Freitas Especial de Pernambuco para o Repórter Nordeste Pesquisadores da Fiocruz Pernambuco conseguiram, de forma inédita no mundo, isolar e sequenciar o…

Imagens de microscópio mostram partículas virais na glândula salivar do inseto. Foto: Reprodução

Ana Lima Freitas
Especial de Pernambuco para o Repórter Nordeste

Pesquisadores da Fiocruz Pernambuco conseguiram, de forma inédita no mundo, isolar e sequenciar o genoma do zika vírus coletado em mosquitos do tipo Culex, mais conhecidos como muriçocas ou pernilongos. Na região metropolitana do Recife, a população de Culex é 20 vezes maior do que a de Aedes Aegypti.

A descoberta foi publicada hoje na revista científica Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature. Os cientistas comemoram também o fato de que, pela primeira vez, conseguiu se fotografar a formação de partículas virais na glândula salivar do inseto. A imagem foi feita através de microscópio eletrônico.

O trabalho foi desenvolvido pela equipe do Departamento de Entomologia da Fiocruz. A presença do vírus zika foi detectada em mosquitos Culex coletados na Região Metropolitana do Recife.

A pesquisa também comprovou, em laboratório, que esse vírus consegue se replicar no interior do mosquito e alcançar a glândula salivar. Isso pode indicar a transmissão do vírus da zika através do mosquito Culex ao picar uma pessoa.

Para a coordenadora do estudo, Constância Ayres, a pesquisa demonstra, “de diversas formas diferentes”, a possibilidade do Culex ser um dos vetores do vírus zika na cidade.

Constância Ayres é coordenadora do projeto. Foto: Arquivo pessoal

Para o pesquisador Gabriel Wallau, que também integra a equipe, o estudo comprova, “com dados consistentes”, que o zika consegue se replicar dentro do organismo de Culex e que existem mosquitos dessa espécie infectados no campo.

O pesquisador aponta ainda que os vírus de RNA de fita simples, como o Zika, têm uma altíssima taxa de mutação e que já existem trabalhos na literatura científica informando que a simples replicação desses vírus dentro do organismo, humano ou do mosquito, gera novas mutações.

Pesquisador Gabriel Wallau

Os resultados encontrados estão servindo de base para o início de novos estudos que pretendem verificar as mutações presentes nos genomas e se elas influenciam na capacidade de replicação do vírus no organismo do mosquito.

O grupo de pesquisadores parte para estudar também sua capacidade vetorial do Culex, ou seja, as características fisiológicas e comportamentais do inseto, no ambiente natural, para entender o papel e a importância dessa espécie na transmissão do vírus zika.

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