Maior sucesso do futebol cearense, organizada não bebe e não xinga juiz

Samara Semião Freitas Especial de Fortaleza para o Repórter Nordeste Dizem que religião e futebol não se discutem, mas e quando se misturam? Foi…

Torcedores ‘em nome de Jesus’ têm o Ceará como time do coração. Foto: Acervo pessoal

Samara Semião Freitas
Especial de Fortaleza para o Repórter Nordeste

Dizem que religião e futebol não se discutem, mas e quando se misturam?

Foi isso o que fez o repositor de supermercado Josepson Lima, de 41 anos. Torcedor do Ceará desde criança e evangélico, ele não queria deixar de frequentar os estádios devido a comportamentos “inadequados”, como ele mesmo descreve. Foi então que decidiu formar a torcida organizada Ceará Gospel. “Ela foi fundada dia 10 de janeiro desse ano. Eu mesmo comecei com esse projeto e fiz as redes sociais pra poder alavancar a torcida… comecei a compartilhar dias de jogos e notícias”, explica.

A ideia fez sucesso e muitas pessoas começaram a entrar em contato com ele via redes sociais. No estádio, ele diz que a aceitação das outras organizadas foi boa e eles já tem até um local fixo nas arquibancadas dos estádios Castelão e Presidente Vargas. “A gente vai mais com a camisa [da Ceará Gospel] pra divulgar, pro torcedor conhecer. Às vezes tem uma curiosidade, perguntam como é, como surgiu, mas cada um tem seu espaço”.

Como nas organizadas, a Ceará Gospel também tem regras. Foto: Acervo pessoal

Regras
Além de vestirem camisas personalizadas, e de levarem ao estádio duas faixas de treze metros com as legendas “Ceará Gospel” e “Jesus te ama”, o grupo também segue algumas regras. Entre elas, não consumir bebida alcoólica e não cantar músicas impróprias.

“A gente acompanha quando a torcida tá cantando algumas músicas tradicionais no estádio, mas quando chega alguma parte inadequada a gente não fala, né? Aí a gente fica calado”, explica.

E o Repórter Nordeste fez a pergunta que todo mundo quer saber: quando o time sofre aquela marcação de falta injusta, ou o gol é anulado incorretamente, pode xingar o juiz?

“A gente não xinga. A gente reclama, mas de outras maneiras, né? Diz: Oh juiz, o que é isso? E tal…mas nada de palavrão e xingamento, não. Nem com jogador nem com juiz”.

Evangelização
Na igreja em que frequenta, Josepson diz que a iniciativa foi bem aceita. Alguns fiéis quiseram saber onde poderiam comprar a camisa e até parabenizaram a tentativa de levar a fé para um ambiente diferente do habitual. “Nosso objetivo não é só torcer, mas sim evangelizar e levar a palavra de Deus, promover a paz. Esse é o nosso objetivo”, finaliza.

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