Os conselhos da avó que procurou-e encontrou- o neto desaparecido por 3 décadas

Estela de Carlotto, presidenta da Associação de Avós da Praça de Maio, se tornou um símbolo na América Latina. A persistência dela atraiu mães…

Estela de Carlotto, presidenta da Associação de Avós da Praça de Maio, se tornou um símbolo na América Latina. A persistência dela atraiu mães argentinas na busca por filhos e netos desaparecidos durante a ditadura no país latino. Os filhos destas mães eram adotados por famílias favoráveis ao regime.

Estela procurou o neto por 36 anos. Ele foi identificado por um exame de DNA. Quando a filha dela, Laura Estela Carlotto, desapareceu em 1977 ela estava grávida. Guido, o nome que Laura quis dar ao filho, foi adotado por outra família e teve o nome alterado. Em 5 de agosto de 2014, ela encontrou o neto após o teste de DNA.

128 netos de desaparecidos na ditadura argentina foram localizados. Estimativa é que 30 mil pessoas desapareceram no regime.

A avó fez uma apresentação no 1º Fórum Mundial do Pensamento Crítico, que acontece na 8ª Conferência da Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais), em Buenos Aires. E seus conselhos valem por muitas vidas.

Veja alguns:

“Tive quatro filhos, Laura era muito ativa.Tínhamos muito medo do que estava ocorrendo e queríamos sair do país. E Laura disse que não, que seu projeto estava aqui e que ‘nossa morte não será em vão’. E não foi, veja o encontro de hoje, com 30 mil pessoas”

“São 41 anos de caminhada, nossa unidade não se acabou, seguimos sendo diferentes, mas unidas pelo amor e dor. Não deixamos de lutar um só dia. Seguimos lutando, mesmo com uma bengala, porque não nos ajoelhamos”

“Temos medo? Diria que não, enterrar uma filha tira todos os medos. Tive o privilégio, porque entregaram o corpo de Laura no mesmo dia de sua morte. Ninguém quer morrer, mas paralisarmos, abaixar os braços, jamais. Temos que seguir lutando, só a morte vai nos calar (e não sei). O melhor prêmio que temos é vemos nossos netos e netas crescerem e serem livres.”

“Não queremos vingança ou revanche, não há ódio, há sede de lembrança, verdade e justiça.”

As informações são da Fórum

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *