A estranha democracia sem povo nas discussões sobre a venda da Eletrobrás

Desde segunda-feira (5) que um estranho cenário de intimidação estava montado nas discussões sobre a privatização da Eletrobrás, que incluem a venda da antiga…

Desde segunda-feira (5) que um estranho cenário de intimidação estava montado nas discussões sobre a privatização da Eletrobrás, que incluem a venda da antiga Ceal em Alagoas.

Logo nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (6), um aparato incomum foi montado pela Polícia Militar ao redor da Escola de Magistratura (Esmal), no bairro do Farol, para “acompanhar” os debates.

De um lado, representantes do BNDES e do Governo Federal; do outro, sindicatos.

Larissa Bastos e Jobison Barros constataram o que parecia impossível: os organizadores ameaçavam levar adiante os debates sem a presença dos trabalhadores da empresa. “Sem o povão”, na linguagem nossa de cada dia.

Estranha democracia a brasileira, um país sobrevivente a tantos golpes políticos- desde o Império- que deseja que suas discussões sobre cidadania, bem estar social, políticas públicas sejam higienizadas. Uma democracia “sem o povão”.

No fundo, a presença da PM ao redor do prédio da Almagis era uma constatação desse tipo de democracia. “O povão” só faz confusão, não sabe discutir (“preto quando não suja na entrada suja na saída”) e ainda não aceita que os melhores caminhos dessa nossa democracia parda são os pensados e executados por quem ocupa cargos públicos ou está no comando do país.

A era temerária revelou muito de nós. Nossa cordialidade é apenas fachada para esconder nosso temperamento colonial.

“Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia” (Chico Buarque, Caravanas)

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