Caso Marielle: Amigo alagoano de vereadora detalha reações no dia do crime

Márcio Anastácio é jornalista Mais um vez, recebo o link de uma matéria sobre a execução da nossa querida MARIELLE. Até hoje, colegas jornalistas…

Márcio Anastácio é jornalista

Mais um vez, recebo o link de uma matéria sobre a execução da nossa querida MARIELLE.

Até hoje, colegas jornalistas me pedem ou enviam informações sobre o caso.

Eu, que sempre tive em mim a certeza de que a reportagem era o meu habitat natural, tive na assessoria de imprensa uma das tarefas mais difíceis.

Já passava das 21h. Eu, Alessandra Ramos Makkeda e Rodrigo Luis Veloso, encerramos o expediente e fomos para casa.

Aquele não era um dia comum. Mais cedo tinha almoçado com a Daniella Silva e conversado sobre a sua candidatura. Na despedida ela disse que iria para a Câmara cuidar e preparar as coisas para um evento na Casa das Pretas onde Mari era convidada.

Ela foi embora e eu voltei para cuidar das coisas do Jean pensando quanta diferença estava fazendo a atuação daquela mulher. Era um mandato vivo. Ou melhor, uma mandata.

No tempo que eu saí do gabinete, entrei no metrô e cheguei em casa, tudo aconteceu. Quando abri a porta, Enzo Lins me deu a notícia e eu demorei alguns minutos para sair de uma espécie de paralisia, de transe ou de choque profundo.

Despertei e percebi que as matérias dos portais de notícias destacavam o fato do brutal assassinato ter acontecido no Estácio. Meu bairro querido, tudo aconteceu há metros da minha casa.

Corri até lá. Ao chegar, o paredão de cobertura da imprensa estava quase montado. Imprensa do mundo inteiro e mais de uma dezena de amigos consternados. Rapidamente, os colegas jornalistas me cercaram e eu percebi que eu ainda não podia chorar.

Comecei a atender aos pedidos dos colegas e ajudar como jornalista do PSOL. A assessora de imprensa da Mari, infelizmente, estava no carro com ela e viu seus últimos minutos de vida. Numa cobertura como essa, que já mobilizava todo o Brasil, os colegas me cercavam para obter informações privilegiadas e na esperança de que eu desse acesso às figuras públicas do partido.

Mas a prova de fogo foi blindá-los. Logo eu, que detestava assessorar blindando assessorado. Mas naquele momento era preciso. Ninguém estava em condições ali. Um dos pedidos insistentes era para falar com a Isabel Lessa, para saber da presidente do partido, quais os encaminhamentos o PSOL tomaria.

Blindei, com certeza, ela não estava em condições.

Logo apos, Marcelo Freixo falou com os jornalistas representando o partido.

Nessa altura, outros jornalistas do PSOL já colaboravam com o atendimento à imprensa e também recebiam incontáveis demandas.

Secretamente, o meu porto seguro foi olhar e ver que Samara Castro, a advogada do partido estava lá.

Tirei rapidamente dúvidas jurídicas sobre o caso e pude sanar algumas demandas dos repórteres.

Por volta de 2h da manhã a cobertura no local do crime já estava se encerrando e o meu contato repassado para inúmeros repórteres.

Viramos a noite em um sobrado na Lapa, onde militantes e a executiva estadual do partido decidiam como iam tratar o caso.

Ali também, foi tirada uma nota oficial que enviamos para a imprensa.

Não dormi, mas quando cochilava algum produtor me despertava lembrando o que eu gostaria que fosse um pesadelo.

Não chorei. Não fui ao velório nem ao enterro. Um dia depois da morte e as notícias sobre o caso só aumentavam.

Jean Wyllys conseguiu a aprovacao de uma comissao externa de investigação e as demandas dos colegas jornalistas não paravam de chegar.

No segundo, terceiro e quarto dias só perguntas. Quase uma semana depois, sentado e tentando atender algumas solicitações de informações, Fabiano De Azevedo Ferreira entra na sala, me dá um abraço e só aí eu choro de verdade.

Choro de desespero, dor e revolta. Até hoje existem perguntas que eu não sei responder aos meus colegas que cobriram brilhantemente o caso.

Como estão as investigações de fato? Quem matou Marielle? Porque? E quem mandou matar?

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