Tensão em Matriz: Tiros e ferido em confronto com a polícia após atropelamento

Conflito entre população e policiais do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRV) deixou uma pessoa ferida na AL 101, em Matriz de Camaragibe, litoral…

“Primo” ficou ferido após acidente com viatura da BPRV. Foto: Odilon Rios

Conflito entre população e policiais do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRV) deixou uma pessoa ferida na AL 101, em Matriz de Camaragibe, litoral Norte alagoano, na tarde deste sábado, 9.

Washington Maxwell da Silva Guedes, 23 anos, foi atingido na barriga com o tiro de bala de borracha.

Segundo a população, uma viatura da BPRV avançou, de propósito, na contramão, na AL 101 sentido Maceió e atingiu uma moto dirigida por José Nilton, conhecido como “Primo”. Ele estava sem capacete.

“Avançaram contra ele só porque faltava capacete. Poderia parar e multar mas, ao invés disso, avançaram para cima dele”, disse uma testemunha, que estava sentada próximo a AL 101 norte. Ele não quis se identificar.

Outras pessoas na multidão confirmavam a versão.

Uma das balas de borracha disparada pela polícia

José Nilton foi atendido pelo Samu. Dentro da viatura, enquanto era medicado, a enfermeira disse que provavelmente ele quebrou o braço. Ele foi imobilizado e estava consciente. A viatura aguardava que a polícia saísse da pista e autorizasse a passagem dela em direção ao Hospital Geral do Estado, em Maceió.

Enquanto isso, familiares, amigos, conhecidos e curiosos cercavam os policiais do BPRV e da Polícia Militar. Havia, ao menos, 300 pessoas no local. A população fechou os 2 sentidos da pista, na subida da ladeira da região chamada de “Chã de Matriz”, queimando pneus, em protesto contra o atropelamento de “Primo”.

A viatura que atingiu o motociclista ficou com a placa amassada. Revoltada, a população cercou a equipe do Batalhão. Houve bate-boca. E a polícia atirou para cima e em Washington Maxwell da Silva Guedes.

Washington foi ferido por bala de borracha disparada pela polícia

“Eu fiquei pedindo para eles terem calma. Me empurraram e atiraram”, disse, ao ser entrevistado na delegacia de Matriz. Ele foi autuado por desacato e aguardava ser ouvido pelo delegado Osvaldo Cardoso enquanto aliviava a dor do tiro da bala de borracha próximo ao umbigo.

“O que registraram aqui foi uma colisão entre uma moto e uma viatura”, disse o policial, interrompendo a entrevista logo quando começaram os tiros. A população reagiu com cascas de coco e pedras atiradas contra os policiais e ps carros. Os carros da polícia deixaram o local rapidamente, cantando os pneus, sob vaias, levando o ferido para a delegacia de Matriz e liberando a AL 101 Norte.

Na saída do local, um dos policiais atirou em direção a uma pessoa. Ela não foi atingida.

Já o prédio onde funciona a delegacia é improvisado porque a antiga estrutura está em reforma. Vai ser transformada em uma casa de custódia. A atual não tem cela para presos, é uma casa adaptada para os trabalhos da polícia civil. Há até um espelho onde era a sala. O delegado Osvaldo Cardoso diz esperar a aposentadoria, que chega em dezembro, para deixar a polícia após 38 anos de serviço.

Viatura envolvida em acidente

“Só tenho 5 homens da polícia comigo, deveriam ser 10. Quem for preso tem de ir para Maceió porque não tem cela. E quando vai para Maceió, a equipe fica esperando surgir uma vaga no presídio. Deveria ter um IML aqui não para receber corpos mas para os exames de corpo de delito. Ou pelo menos que este exame fosse feito no hospital daqui”, explicou o delegado, afirmando:

“Eu me aposento em dezembro. Vou ajudar meu filho a montar uma escola de inglês”, disse.

No Hospital Regional de Matriz de Camaragibe- a 1 km de distância da delegacia- há um médico de plantão para uma cidade com 30 mil habitantes. Segundo a população, faltam remédios para a maioria dos atendimentos.

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