Sobre o apagão e a ascenção de Sarney no setor elétrico brasileiro

(Trecho do livro Honoráveis Bandidos, do jornalista Palmério Dória, página 26) Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, de Belém, um dos observadores mais…

(Trecho do livro Honoráveis Bandidos, do jornalista Palmério Dória, página 26)

Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, de Belém, um dos observadores mais argutos da cena amazônica, jornalista que escapa de processos como Garrincha escapava dos beques adversários, localiza em fevereiro de 2008 o auge do domínio do clã Sarney sobre a energia elétrica brasileira:

“Com a nomeação de José Antônio Muniz Lopes para a presidência da Eletrobrás, Sarney tem o poder total no setor elétrico, de alto a baixo.”

Lúcio Flávio lembra que Muniz foi o dirigente da Eletronorte em quem a índia caiapó Tuíra passou o facão no rosto em 1988, no I Encontro de Povos Indígenas em Altamira, para discutir danos ambientais da construção da usina de Kararaô, depois Belo Monte. A cena correu mundo, e o Banco Mundial saiu da parada — a enchente de 2009, a maior dos últimos tempos, que arrasou Altamira, deu uma pálida ideia da tragédia que o represamento pode causar em
nome do uso da energia do rio Xingu.

“Fernando Sarney era presidente da Cemar, Centrais Elétricas do Maranhão”, recorda o jornalista paraense, “e a partir da Cemar ele montou esse império.” Lúcio Flávio, que acompanhou passo a passo a construção de Tucuruí, nos fornece os números que permitem calcular o quanto se pode ganhar em comissões e desvios com megaobras.

Como, por exemplo, um ‘ligeiro” erro de orçamento na construção de Tucuruí, maior usina cem por cento brasileira, no rio Tocantins, Estado do Pará, a 400 quilômetros de Belém. O custo das obras, iniciadas em 1981, passou de 2 bilhões e 100 milhões de dólares para mais de 10 bilhões (a Eletronorte só admite 5 bilhões e 400 milhões de dólares, mas a Comissão Mundial de Barragem elevou o cálculo para 7 bilhões e meio, e Lúcio Flávio não admite que
seja menos de 10 bilhões de dólares).

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