Qual Alfredo Gaspar teremos à frente do Ministério Público de Alagoas?

Concorrida, a posse do procurador-Geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, teve um momento interessante: em seu discurso, fazia uma auto-análise, como se despisse do…

Concorrida, a posse do procurador-Geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, teve um momento interessante: em seu discurso, fazia uma auto-análise, como se despisse do seu passado recente (e trágico) como secretário de Segurança Pública, e buscasse uma reconciliação com ele mesmo, agora reeleito, na principal cadeira do Ministério Público em Alagoas.

“Por isso, quero sair de casa todos os dias deixando a vaidade da gaveta, com o coração sem desejar mal a ninguém e com o desejo de trazer felicidade para o povo do meu estado. O Alfredo impulsivo e que tantas vezes errou, faço questão de colocar bem longe da instituição. O que quero mesmo é ver o Ministério Público prestando um serviço de qualidade à sociedade e transformando vidas”, disse o chefe do MP.

A passagem dele na SSP foi trágica porque o conjunto da obra “gaspariana” insuflou policiais a adotarem métodos fora da lei, como se Alagoas vivesse num filme de Batman, sendo Gotham City a nossa realidade-irreal e o próprio Alfredo Gaspar o promotor Harvey Den, antes dele se transformar no Duas-Caras; além de ganhar homenagens de deputados estaduais entranhados na pistolagem e no crime organizado.

O xerifismo de Alfredo Gaspar ofuscou algumas de suas características. Passou a adotar, como regra, o estranho modismo do MP brasileiro, em tempos da Lava Jato e em silêncio sob a era Jair Bolsonaro, de quem Gaspar recebeu o filho, Eduardo, em março do ano passado e em casa, nas discussões sobre a campanha eleitoral em Alagoas e a possível entrada do hoje procurador-Geral de Justiça como candidato ao Senado.

E Alfredo era chefe do MP.

Um dia antes da posse do reeleito procurador alagoano, Eduardo Bolsonaro deu de ombros e não compareceu ao Ministério Público no Rio, para depor no caso das estranhas transações do seu assessor parlamentar Queiroz, a quem o mesmo MP trata com dois pesos e duas medidas.

Aos 48 anos, Alfredo Gaspar pode ser um divisor de águas neste Ministério Público tão parcial, revelado pela Lava Jato. A corrupção é um mal no Brasil mas nosso justiçamento aos mais pobres e minorias além dos “aos inimigos, os rigores da lei” estão entranhados nas instituições. Bem mais antigo que os engenhos e as ordenações filipinas.

Oxalá tenhamos um novo chefe do Ministério Público que faça história; aquele da SSP foi um cruel incentivador de carnificinas, tuteladas pelo Estado.

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