Por que Alagoas precisa de uma guerra entre os togados, como se viu com Lula?

Abusos se repetem todos os dias. Os invisíveis estão à margem da guerra das togas. Eles lutam pela sobrevivência, sem acreditar na Justiça

Togados medem as próprias forças na Justiça brasileira. Quem vai conseguir soltar ou manter preso o ex-presidente Lula? De férias, Sérgio Moro diz que não cumprirá decisão do desembargador Rogério Favreto, do TRF4, que determinou a soltura. Os togados acionam seus sabres de luz. Venceu Thompson Flores, presidente do TRF4: Lula continua preso.

Um fato que movimentou um melancólico domingo de um Brasil fora da Copa.

Um fato que também mostra: a guerra das togas não é a mesma em todas as situações.

Um homem é preso dentro de casa, em julho de 2016. A Defensoria Pública de Alagoas é acionada. Em 18 de março de 2018 foi julgado e inocentado pelo juiz Braga Neto. Ele deveria ser solto. Mas, ficou preso até junho. Saiu da cadeia porque a Defensoria, em mutirão, constatou a irregularidade.

Por que não quiseram cumprir a decisão do doutor Braga Neto?

Desde 8 de fevereiro que a Assembleia Legislativa de Alagoas não cumpre decisão do doutor Manoel Cavalcante, que determinou a suspensão do pagamento de uma gratificação a funcionários que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A Associação dos Magistrados de Alagoas não defende o doutor Manoel Cavalcante.

Não ele, mas a Justiça local é desmoralizada.

20 de junho de 2018, bairro do Clima Bom, parte alta da capital alagoana. Uma inspeção constata que o posto de saúde virou foco de doenças: animais peçonhentos, mofo, ferrugem, medicamentos ameaçados.

Invisível, o posto de saúde na região pobre reforça a baixa estima de ser pobre em Alagoas. Aquele que fica em busca de um favorzinho e ouve que as pessoas precisam aprender a se virar.

Abusos se repetem todos os dias. Os invisíveis estão à margem da guerra das togas. Eles lutam pela sobrevivência, sem acreditar na Justiça: é a gestante obrigada a ir para casa porque não há espaço para ela parir na maternidade; o filho que apela por uma vaga num cemitério público para a mãe morta; a mulher do desaparecido que vai à delegacia em busca de ajuda, mas ela está fechada porque o Brasil joga na Copa do Mundo.

Num domingo chuvoso em Maceió, faz falta uma guerra das togas em defesa dos invisíveis, da dignidade de ser gente.

Aí se poderá imaginar um país justo.

Por enquanto, é apenas o retrato do que é: uma ex-Colônia, onde privilegiados sonham em legalizar a canalhice.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *