Líder em rejeição no Datafolha, Collor é o principal estorvo dele mesmo

26 anos após o impeachment, Fernando Collor- de novo- é candidato a presidente da República, mas é rejeitado pela maioria dos entrevistados, em pesquisa…

26 anos após o impeachment, Fernando Collor- de novo- é candidato a presidente da República, mas é rejeitado pela maioria dos entrevistados, em pesquisa realizada pelo Datafolha, publicada neste domingo.

Lula, Bolsonaro, Alckmin, Marina e Ciro Gomes seguem na lista dos rejeitados, mas há diferenças. Lula é imbatível na disputa ao Planalto, se sair da prisão; Bolsonaro continua em 2º colocado; Ciro Gomes é o que mais cresce na preferência do eleitorado e Marina Silva é bastante conhecida e acumula algum mérito.

Collor é o mais rejeitado entre os pesquisados e sequer atinge 1% entre os seus “queremistas”.

Porque Collor é o principal estorvo dele mesmo. Não pelas investigações da Lava Jato contra o senador. Nem as denúncias nem as investigações impediram Collor de ser reeleito.

Não pela entrada dos agentes da Polícia Federal na sede da TV Gazeta- afiliada da Rede Globo- na devassa da Lava Jato. Ou da exibição dos seus carros de luxo na Casa da Dinda quando a mesma PF cruzou os famosos portões.

Nas disputas ao Governo de Alagoas, Collor é desidratado ao longo do páreo- fenômeno impressionante a quem já foi presidente do Brasil.

Basta algum dos candidatos pregar, na testa, a alcunha de anti-Collor. O resto é conhecido.

O eleitor alagoano até tolera Collor disputando algum mandato, desde que longe do Executivo.

Porque Collor mantem a própria aura presidencial. Comporta-se como um rei sem coroa. Alguém que não deixou de pensar naquilo (o trono que chamou de seu).

Sua atuação no Senado é diminuída por ele mesmo, apesar de sua assessoria se esforçar em mostrá-lo com alguma discussão relevante na Comissão de Relações Exteriores do Senado, como a que tenta aproximar o Brasil da Coreia do Norte.

De resto, o ex-presidente tornou-se o defensor do seu curto mandato (terminado há 26 anos!!!!!!), um auto-elogio ambulante, meio cabotino, meio revelador de que Collor é mais do mesmo.

O Collor-senador ofusca o Collor (para sempre!) presidente do Brasil.

Talvez a estratégia lhe renda algum fôlego eleitoral em Alagoas. Estratégia que lhe vale lançar Fernando James como o sucessor político da família (disputa a Câmara Federal) como aconteceu com o filho, Arnon.

Mas, Collor amplia a própria rejeição nacional. Alguém que nunca deixou de ser presidente e quer voltar a sê-lo.

Contradição? Os resultados devem lhe oferecer alguma vantagem política.

Ou não.

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