BPRV age com truculência em abordagens, denuncia população em Matriz de Camaragibe

Sessão na Câmara de Vereadores na cidade de Matriz de Camaragibe, litoral norte alagoano, mostrou casos de violência policial do Batalhão de Polícia Rodoviária…

Sessão na Câmara de Vereadores na cidade de Matriz de Camaragibe, litoral norte alagoano, mostrou casos de violência policial do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRV).

Centro da discussão era a ação policial no sábado (9), na AL 101 Norte, que passa no entorno da cidade. População acusa uma viatura da BPRV de atropelar, de propósito, um motociclista. O caso foi registrado pelo blog.

Representantes da PM foram à Câmara e disseram que os casos serão apurados. E pediu ajuda da população no combate ao crime.

Segundo o vice-prefeito Mário Melo, “não podemos aceitar o abuso de autoridade. Eu discordo da entrada da amarelinha no município”.

Amarelinha é como são conhecidas as guarnições da BPRV, identificadas pela cor dos veículos.

As pessoas denunciavam que uma mulher, carregando a feira para casa, na rua, quase foi atropelada pela BPRV; em outro caso, a viatura partiu para cima de condutor de uma moto.

“Cala a sua boca”, reproduzia um morador ao ter sido abordado, “cala boca seu merda”. “Fiquei envergonhado. Eu não tenho mais pai, mais mãe, eu achei que o policial estava me protegendo”. Abordou o filho dele e ameaçou. “Se correr, atiro em você”. Ele quase foi preso por um policial. E não foi por causa de uma policial, que o defendeu. “Eu presenciei colocando carro emplacado no guincho e dizendo assim: ‘Vai lá buscar’. A mesma equipe, o mesmo policial agredindo meu genro, e queria tomar o celular dele que estava filmando. É permitido policial abordar a pessoa e ela filmar?”, perguntava; “cala boca seu cabra safado”, reproduzia um dos moradores da cidade. A equipe do BPRV, que realizou a ação no último sábado, era chamada de “despreparada”.

O padre Gilberto, que está na cidade há 8 meses, presenciou- ele mesmo- violência policial. “Eu presenciei e me arrependi porque não filmei. Quando cheguei vi 3 policiais abordar adolescentes. Tiraram o menino de dentro do carro, botaram, tiraram. Bateram, bateram. Puxou a cueca de um deles de dentro da calça e rasgaram. Qual orientação é dada quando se aborda alguém?”. Pediu que o combate à criminalidade infanto-juvenil com políticas sociais não com agressão.

Ex-prefeito da cidade, Marquinhos disse que os casos não acontecem só em Matriz, mas recebe demandas sobre o assunto. Afirma que as pessoas chegaram a tramar pôr fogo no fórum, em protesto à atitude da polícia.

Dedi Evangelista, vereador, questionou os critérios usados pela BPRV paa abordagem policial. Disse não ser contra a abordagem. Chama de “arbitrariedades” certas posições, como a apreensão de veículos, usando “palavras ríspidas” com a população.

Disse que, no último sábado, a viatura da BPRV estava na contramão. “A questão são as abordagens arbitrárias”. Os policiais pedem identificação mas os próprios policiais tiram os crachás da farda.

Segundo o vereador Leunam, “o que está acontecendo na cidade é abuso de autoridade. A BPRV invade nosso município, de acordo com o Código Nacional de Trânsito. Ela não tem autoridade nem autonomia e criou esta dúvida que, ora, culpa o prefeito ou ora culpa os vereadores”.

Disse também que estava em um restaurante, no sábado, quando viu viatura do batalhão em alta velocidade. Quando foi informado que um cidadão foi atropelado por uma viatura.

Único local que a BPRV pode atuar é na AL 101 e não dentro da cidade, segundo ele informou. Questionava a forma de abordagem da polícia de trânsito em Matriz. Uma das vítimas era filho de um policial. “É essa invasão do nosso município que vem causando este atrito”.

Vereador Mário Galdino também criticou a atuação da polícia e falou de casos de violência usados pela BPRV.

Segundo o coronel Albuquerque, da BPRV, “atuamos para dar segurança à população”. Disse que “cidadão de bem tem de ser tratado como deve ser tratado”. Falou ainda que “ações isoladas não representam a Polícia Militar de Alagoas”. E, em Matriz, há 3 meses não havia homicídios.

“A PM pode atuar dentro e fora [da cidade]. Nós vamos acompanhar as ações do batalhão. Não vamos permitir ações sem nosso acompanhamento. Senão tiver agindo conforme a legislação, vamos tomar as providências cabíveis”. Explicou que há convênio para atuar nas estradas e qualquer município, “em multas e infrações estaduais”. Não pode atuar em casos de multas municipais porque depende de convênio entre município e Detran- no caso da falta de órgão de trânsito.

Propôs ainda realizar palestras nas salas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Falou que “vai caçar” quem comete crimes em Matriz, trabalho integrado com as policiais mais presídios.

Disse que as operações podem ser filmadas. “Quem não deve não teme”. Diz que há policiais que andam com câmeras para filmar a própria ação.

Coronel Henrique, comandante do 6º Batalhão de Maragogi, disse que só pode ser filmado se o policial quiser ser filmado.”O que não se pode direcionar a filmagem para ridicularizar a imagem”.

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