A violência e o estímulo a apoiar quem promete o caixão

O eleitor construiu uma estranha tolerância com o banho de sangue, rastro da nossa violência que mata mais de 60 mil pessoas todos os…

O eleitor construiu uma estranha tolerância com o banho de sangue, rastro da nossa violência que mata mais de 60 mil pessoas todos os anos- a maioria com menos de 30 anos e pobre, ou seja, jovens em plena idade produtiva mas muito cedo classificados como fora da faixa dos "homens de bem".

E quanto mais mortos pela violência maior é a convicção no "bandido bom, bandido morto". Desde que bandidos e mortos sejam os outros.

A tolerância constrói a brutalização. O corpo que vira areia de cemitério parece que nos transmite uma falsa superioridade. Brutos com a vida humana, levamos este ódio para a política. Representantes das bancadas da bala se elegem ou reelegem. E estes inflam discursos, potencializados pelas redes sociais e estranhamente discursos endossados por jovens- os mesmos que se assistem tombando em nossa guerra silenciada.

Parece justificado o crescimento da frente que valoriza mais os homens de bem. A nossa ultradireita defensora da família e da boa moral.

E como estes homens acreditam se merecer viver mais tempo.

Nossa guerra – como toda a guerra- é cruel. E a resposta parece que deve ser também cruel.

Deste convívio com a morte nasce um homem mais duro. Aquele em que a tristeza de uma guerra não lhe causa horror. O eleitor útil para os falsos corajosos. Aquele que, na democracia, sabe que quem vota aprova o extermínio dos "cabras safados".

E o eleitor aterrorizado se sente também representado por quem prega a paz das armas. Paz que extermina quem não é homem de bem. Até que este modelo seja exaurido pela mobilização da opinião pública contrária a ele.

Até lá, os insensatos terão levado muitos e muitos para a cova. Por certo, cabras safados. Diferentes deles, "homens de bem".

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