Sou Mulher Negra

Alguém perguntou a minha cor, e respondi: Negra! Tornou a perguntar o que me fazia sentir Negra: Identidade étnica! Não importa a melanina, se…

Alguém perguntou a minha cor, e respondi: Negra!

Tornou a perguntar o que me fazia sentir Negra: Identidade étnica!

Não importa a melanina, se o que partilho é a sina!

Não importa a cor dos olhos, mas as lágrimas conhecidas!

Minha genética é Negra e outras miscigenações como acessório.

Mas a trilha social não deixa dúvida, é na saudade de um jovem corpo Negro que ainda choro.

Eu sou Negra de raiz palmarina, e mistura cabana com a terra da cana e da usina.

Minha voz enrouquecida conhece o esforço do grito, a humilhação como caminho a ser recusado seguir e a solidão da luta por justiça, como sombra a me redimir.

Eu sou mãe Negra que luta, que escreve e descreve a força bruta dos civilizados de elite.

Sou mulher Negra que escuta os filhos em susto, feridos, por uma sociedade racista, homofóbica e egoísta.

Enfim, não preciso de autorização para ser Negra. É a minha história quem me faz assim. Quem me deu poesia, embalou a utopia e encheu de amores o peito que a bala assassina partiu ao meio.

Pelo memória dos amados; sobre a escória dos profanos, meu presente é pleno de passado

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