Mães morrem quando lhes matam os filhos, pela memória de Janaína

Tristeza mata? Sim! Principalmente mães.  A primeira mãe que eu vi morrer de tristeza durou apenas seis meses após a morte do filho, por…

Tristeza mata? Sim! Principalmente mães.  A primeira mãe que eu vi morrer de tristeza durou apenas seis meses após a morte do filho, por acidente automobilístico. A segunda mãe, era uma colega de universidade, e durou apenas alguns dias, após perder um bebê de sete meses, sua primeira gravidez.

O fato é que a dor tem força para mobilizar e também para finalizar a pulsação de um coração que ama tanto, e por isso mesmo, não consegue reaver o liame partido pela ocorrência da morte.

Essa semana tomei conhecimento do caso de Janaína, através do contato com o Núcleo de Mães Vítimas de Violência do Estado, que está situado no Rio de Janeiro, mas me representa, e por essa razão acompanho as lutas de mulheres como eu, que em Alagoas não consegui encontrar e nem mesmo construir tal nicho de consolação.

Minha luta é escrita! Tem sido assim.

A jornalista Amanda Prado, reavivou informações sobre Janaína e sua saga de amor e dor:

” Janaina Soares, ao chorar a morte de mais um jovem nos recentes confrontos em Manguinhos, não aguentou. Despediu-se da vida com o coração aos prantos. E eu passei o dia inteiro lembrando do olhar dela, da maneira como ela andava, como era potente quando sorria. Pouco dizia com palavras, tudo dizia com o olhar. Em seus olhos havia uma profundidade tão desconcertante que um desatento jamais entenderia.”

A mulher que morreu de tristeza tinha história de perdas, e deixou na terra um filho em prantos, sensibilizando olhares, como o de Amanda:

” Primeiro o pai morreu num assalto, depois o irmão morreu numa operação da polícia, agora a mãe morreu de tristeza. Quem vai dar a mão ao Caíque, o menino que não para de chorar?

A vida adulta exige que a gente vá aprendendo a disfarçar, mas trabalhar ontem foi simplesmente horrível. Eu segurava o choro e a vontade de abraçar Ana Paula, abraçar dona Graça (a avó), abraçar Caíque (o neto que ficou), e tudo o que me ocorria era “o que diacho eu posso fazer?”. Doía demais aqui. Dor de mundo que chama. ”

As mulheres vitimadas se unem em blocos de solidariedade e luta por justiça. Enquanto o Brasil é levado a olhar para a s favelas do Rio de Janeiro como alvo merecido para a sanguinária batalha que o Estado brasileiro quer avalizar e financiar, as mães estão lutando.

” Sempre que uma mãe chora a morte de um filho na favela, todas as outras mães que perderam filhos pra violência choram junto. É como reviver tudo o que passou. São irmãs na dor – porque têm a mesma ferida. TerezinhaGlaucia, Ana e tantas outras me ensinaram isso.”

Visibilizar essa história é também mostrar outras tantas que pulsam no entorno, que velaram o corpo de Janaína e lhe acompanharam até o túmulo. O trabalho de Amanda Prado me trouxe substâncias que faltavam, na parca homenagem que fiz à Janaína em meu facebook.

“Um dia pra lembrar que essa sempre será uma das principais respostas, da próxima vez que eu me fizer a pergunta:

Que posso fazer?

Fazer jornalismo.”

A sociedade precisa desse trabalho jornalístico, para não embarcar cegamente na ideia de que a solução para os males da vida social seja a morte.

Todas as vidas importam! O direito de viver não pode ser ferido impunemente. Pelas vidas dos filhos, pelas vidas mães!

Janaína, presente!

 

 

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