Francisco Sales: O imperador desfila sua majestade pelas ruas de Penedo

Quando um homem culto morre, é uma biblioteca que incendeia, sim! Essa frase usada aleatoriamente, que não é de nossa autoria, diz a verdade…

Quando um homem culto morre, é uma biblioteca que incendeia, sim! Essa frase usada aleatoriamente, que não é de nossa autoria, diz a verdade e nos faz refletir sobre a importância de termos referências assim.

Soube que Alagoas perdeu a presença material de Francisco Sales, o amante de Penedo e suas histórias. Foi médico, escritor, presidente da Casa do Penedo, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Alagoana de Letras.

No livro Alagoas 200, do jornalista e escritor Odilon Rios, Francisco Sales eterniza um parte do seu estilo literário abordando historicamente as histórias penedenses.

Em Alagoas 200, podemos encontrar a entrevista completa.

 Odilon Rios: Que Alagoas recebeu d. Pedro II em 14 de outubro de 1859?

Francisco Sales: ” Dois episódios acontecidos no período daquela visita retratam bem a Alagoas daqueles idos.

Quando desembarcou no porto de Penedo, a Comitiva Imperial foi recebida por uma banda de música. O Imperador a descreve em seu Diário como um grupo de músicos esforçados, mas medíocres, desafinados, roufenhos.

E atesta que talvez estes rapazes não estejam recebendo a devida educação musical.

Num outro momento, em 1831, em um baile de gala oferecido ao então presidente da Província Manuel Lobo de Miranda, este percebeu que não havia moças no salão e que alguns rapazes usavam uma fita azul costurada à altura do antebraço.

E foi informado que ás moças de Penedo não se dava o direito de frequentar bailes e que aqueles rapazes de fita faziam as vezes de dama para dançar com os outros cavaleiros.

De certa forma, foi isso que encontrou por aqui o imperador, uma província fechada em suas tradições mais mesquinhas, negando liberdade às moças e educação a todos, além de recém-saída de um grande surto de cólera.

No entanto, havia também sentimentos revolucionários. O Clube Republicano do Penedo, durante os poucos dias em que o imperador ficou na cidade, todas as manhãs hasteava a bandeira republicana para saudar Dom Pedro II que, um dia, desceu do cavalo e beijou a tal bandeira republicana.

Também havia certo desenvolvimento industrial. O Imperador elogia a extração de óleo de linhaça com máquinas a vapor feita pelo Araújo,a família que o hospedou.

Infelizmente, vejo Alagoas refletindo ainda hoje os espelhos de 14 de outubro de 1859. Seus donatários negam liberdade, cerceiam projetos educacionais e quase todas as rebeldias curvam ao primeiro beijo do Império.”

Viaje aos mundos espirituais na luz Francisco Sales.

Por aqui, a história seguirá com uma biblioteca a menos.

 

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